Líder do “Bonde do Jura” pega mais 22 anos de cadeia

Com ramificações inclusive na política, tendo elegido uma vereadora em Nova Iguaçu, a milícia é muito temida na Baixada Fluminense. O próprio comandante do grupo teve mais de nove mil votos em 2008

Condenado em 2010 a quatro anos e oito meses de prisão, pelo crime de associação criminosa armada, o ex-sargento da Polícia Militar Juracy Alves Prudêncio, o Jura, líder da quadrilha de milicianos conhecida como “Bonde do Jura”, foi condenado a 22 anos de reclusão pelo crime de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima) cometido contra Paulo Ricardo Soares da Silva, no dia 27 de agosto de 2007, em Nova Iguaçu. Paulo foi executado à luz do dia com diversos disparos de arma de fogo na cabeça, tórax e abdômem. Jura, que segundo o Ministério Público controlava 30 bairros na região de Comendador Soares, entrou para a vida pública em 2004, buscando uma cadeira de vereador em Nova Iguaçu, obtendo apenas 726 votos. Já como “dono” do território, em 2008, teve 9.335 votos. Foi o candidato a vereador mais votado naquele ano, mas não conseguiu a vaga porque seu partido, o PRP, não atingiu o coeficiente eleitoral. Em 2012, da prisão, coordenou a campanha de sua mulher, Giane Silveira Prudência, eleita vereador pelo PMN, com 3.527 votos.

O processo em que o ex-PM foi condenado foi iniciado na Comarca de Nova Iguaçu, mas foi remetido para julgamento no Tribunal do Júri da Capital, porque o promotor de Justiça Pedro Simão, que realizou a sessão plenária do Tribunal do Júri, quis evitar o “poder intimidatório”   que Jura exerceria na localidade, o que poderia infuenciar os jurados.  Segundo foi apurado,  o “Bonde do Jura” era formado por cerca de 70 pessoas – incluindo civis,  policiais militares – e explorava a venda de gás, água e sinal de TV a cabo, além de cobrar taxas de motoristas de van e mototáxis.

De acordo com a denúncia do MP, os integrantes ameaçavam comerciantes e moradores, com o objetivo de forçar o pagamento de taxas de segurança. Entretanto, para a vereadora Giane, seu marido é apenas um injustiçado, uma pessoa perseguida por ser “um incansável líder comunitário”.

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Comentários:

  1. Estou tentando lembrar o dia que esse tal miliciano cobrou taxas e obrigou a pagar por alguma coisa, moro a 20 anos em comendador soares e esse cara só fez o que muitos deveriam fazer, zelar pela segurança. Com certeza foi um motim de pais de traficantes da região que fez alguma denúncia. Quem dera se ele estivesse solto, esse bairro seria mais tranquilo e sem mortes diarias, assaltos constantes e bocas de fumo a cada esquina

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