Reacesa a chama do golpe em Guapimirim

Marcos Aurélio está vivendo um mau momento em sua gestão

Grupo estaria trabalhando para tirar prefeito e tomar o poder. Investigação é legítima e deve mesmo ser feita, mas possíveis pressões para renúncia do vice visando deixar o caminho livre gera insegurança jurídica e apreensão

A operação realizada pelo Ministério Público na Prefeitura de Guapimirim no dia 22 de julho em busca de documentos sobre licitações que haviam sido solicitados através de ofícios e não encaminhados pelo então secretário de Saúde Eliel Ramos, teria despertado em um grupo de vereadores uma antiga ideia de pressionar o vice-prefeito a renunciar o cargo, cassar o prefeito e empossar como chefe do Poder Executivo o chefe do Poder Legislativo, substituto legal do titular no caso de vacância do cargo de vice. De acordo com uma fonte ligada à Câmara de Vereadores, essa manobra teria sido pensada pela primeira vez no final do ano passado, voltou a ser cogitada em março deste ano e na última terça-feira teria sido tirada da caixa de maldades do grupo que estaria buscando o poder. O presidente da Câmara, André Azeredo já formalizou uma comissão de inquérito, mas nega a possibilidade de um “golpe de estado” com pressões sobre o vice, mas o que se comenta nos bastidores é que a meta é sentar na cadeira de prefeito.

Na sessão da última terça-feira, a primeira deste a volta dos vereadores depois do recesso de meio de ano, por unanimidade foi aprovada a criação de uma Comissão Especial de Inquérito para apurar uma série de denúncias, inclusive as feitas ao MP pelo Conselho Municipal de Saúde e que já resultaram em umas das duas ações de improbidade administrativas ajuizadas pela promotoria, mas a proposta do grupo seria muito mais que investigar alguma coisa: o prefeito Marcos Aurélio Dias já começaria na CEI condenado a perda do mandato se houver um sinal de que o vice-prefeito Wagj Faraht “amarelaria” diante das pressões, entre as quais a ameaça de também ser investigado por supostas indicações de pessoas que receberiam salário sem trabalhar. “Uma coisa é a investigação séria, imparcial do Ministério Público e uma decisão judicial afastando eleitos ou cassando mandatos. Outra muito diferente é montar uma comissão de inquérito e paralelamente a isso acuar o vice-prefeito. Isso para mim é golpe”, comentava ontem um membro do Legislativo que aprova a investigação, mas refuta qualquer tentativa de forçar o vice a sair do cargo.

De acordo com esse membro da Casa, já teria gente comemorando o resultado de uma investigação que sequer começou. “A sociedade merece uma resposta e a Câmara tem de cumprir realmente o seu papel de fiscalizar, apurar e responsabilizar quem tiver feito coisa errada. Isso é legítimo e tem o meu total apoio, mas já festejar uma condenação é coisa de quem está buscando poder e não justiça ou cumprir com o seu dever para com a sociedade”, concluiu.

Para algumas lideranças locais o Ministério Público está prestando um grande serviço à população investigando as denúncias levadas ao órgão por cidadãos ou entidades organizadas e o maior exemplo disso são as duas ações ajuizadas. Entendem, no entanto, que qualquer coisa fora da legalidade, qualquer ato contra o estado democrático de direito vindo de grupos políticos sedentos de poder, precisa ser refutado, inclusive como apoio do próprio MP.

 

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Comentários:

  1. Caixa de maldades ou não, imoral ou não, antiética ou não, o problema todo é que em estando de acordo com as Leis, a cassação pode ser feita e uma pessoa que não recebeu votos para prefeito (presidente da câmara de vereadores) pode ocupar o cargo e o erro está aí. Isto deveria ser proibido e novas eleições serem feitas.

    Aqui em Magé tivemos uma experiência destas com Dinho Cozzolino e foi, para ser bem educado, HORRÍVEL.

  2. Essa tentativa de levar o vice a renunciar é muito grave. Que cassem o prefeito se ele tiver culpa no cartório, mas tirar o vice da linha de sucessão é crime.

  3. Pressionar o vice a renunciar é golpe baixo. Jogo rasteiro de quem está acostumado a frenquentar os porões. Mas abrir CPI e cassar o prefeito se houver motivo para isso é legítimo e foi isso que o Elizeu deixou bem claro na matéria

  4. O que se pode esperar de uma Câmara como essa que não seja rasteiro? Eu defendo que tudo seja investigado, mas pressionar o vice a sair é sacanagem, coisa muito baixada mesmo.

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