Prefeito de Mesquita gasta demais e agora faz greve

Gelsinho Guerreiro diz que não tem com o fechar as contas deste ano honrando os compromissos

Gelsinho Guerreiro praticamente dobrou despesa com pessoal em ano de eleição e agora diz que não tem como pagar as contas

Quem depender dos serviços da Prefeitura de Mesquita amanhã vai encontrar as portas fechadas. É que o prefeito Rogelson Sanches Fontoura, o Gelsinho Guerreiro (eleito pelo PSC e agora no PMDB), decretou uma espécie de greve para essa segunda-feira, em protesto contra a redução dos repasses federais gerada pela crise financeira que afeta o país. O mesmo protesto deverá acontecer em outras cidades, mas a questão em Mesquita é que no tempo das vacas gordas o prefeito enfiou o pé na jaca, principalmente em 2014, quando os gastos com a contratação de pessoal através de cooperativas praticamente dobrou. O ano passado foi de eleições e, coincidentemente, a hoje deputada estadual Daniele Cristina Figueiredo Fontoura, a Daniele Guerreiro, teve um galpão interditado por fiscais da Justiça Eleitoral por conta de uma série de denuncias de irregularidades, entre elas a de que funcionários terceirizados teriam sido obrigados a atuar na campanha. Em 2014 Mesquita gastou com três cooperativas de mão de obra 75% a mais que o total pago em 2013.

 

De acordo com o decreto 1.733/2015 nessa segunda-feira estarão funcionando integralmente no município apenas os serviços de coleta de lixo e de segurança. As escolas e todos os demais departamentos estarão fechados e na rede municipal de Saúde só será prestado o atendimento de emergência. No ato administrativo Gelsinho Guerreiro alega “absoluta inviabilidade de manter a qualidade de tais serviços como a redução tão significativa de recursos federais que vem acontecendo”. Entretanto, os registros do governo federal mostram que a Prefeitura recebeu repasses totais de mais de R$ 310 milhões entre janeiro de 2013 e setembro deste ano. Foram R$ 114.523.101,54 em 2013, R$ 117.165.987,87 em 2014 e R$ 78.545.342,21 este ano.

A despesas da Prefeitura de Mesquita com pessoal terceirizado começaram a aumentar em março de 2013. No ano anterior a Prefeitura havia pago R$ 36,7 milhões: R$ 12.129.734,29 para a Captar Cooper e R$ 24.605.916,00 para a Multiprof. Em 2013 de um empenho total de R$ 68.329.254,32 em favor de quatro cooperativas, R$ 50.122.122,10 foram efetivamente pagos. A Captar Cooper, por exemplo, recebeu no período R$ 7.186.965,91 e a Coopesege R$ 20.165.712,34; a Multiprof faturou R$ 14.115.306,88 e a Renacoop Renascer o total de R$ 8.654.136,97. Em 2014 o município passou a contratar pessoal só de duas cooperativas, mas os gastos subiram de R$ 50.122.122,10 para R$ 88.399.065,51, R$ 38.276.943,61 a mais. No ano passado a Coopsege teve a seu favor um empenho de R$ 73.950.465,50 e recebeu R$ 66.871.930,06 desse total e a Renaccop Renascer faturou R$ 21.527.135,45 de um empenho global de R$ 26.250.946,32. Já no exercício deste ano a despesa com as cooperativas de mão de obra caiu bastante, está bem menor que a consolidada em 2013. Para todo o exercício de 2015 estão empenhados R$ 57.375.661,18.

 

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