Chantagem social em Rio das Ostras

A empresa diz que se as demissões ocorrerem a manutenção do sistema de esgoto será feita por uma equipe de emergência

Odebrecht ameaça demitir trabalhadores se Prefeitura não pagar dívida estimada R$ 80 milhões que estaria sendo acumulada desde novembro do ano passado, mas de janeiro de 2013 a 31 de agosto deste ano o município já havia recolhido mais de R$ 116 milhões ao fundo garantidor que acerta as contas com a empresa, R$ 46,5 milhões em 2015

Na  pendenga entre o prefeito Alcebíades Sabino dos Santos e a Odebrecht Ambiental (braço de um dos maiores grupos empresariais do mundo), responsável pelo sistema de saneamento de Rio das Ostras, quem poderá sair levando a pior é o trabalhador, pois, acusando uma dívida de cerca de R$ 80 milhões – que, segundo a empresa, vem se acumulando desde novembro de 2014 – a  Odebrecht pretende demitir 100 funcionários, pelo menos 80 deles moradores da cidade. A informação, veiculada pelo jornal Expresso Regional, foi recebida por membros do governo municipal e lideranças locais como uma espécie de “chantagem social”, uma tentativa de sensibilizar o prefeito em relação ao pagamento das faturas. A empresa só não disse ao jornal que este ano a Prefeitura já pagou cerca de R$ 46,5 milhões este ano, R$ 11,6 milhões a mais que o total registrado em 2014, quando a “briga de cachorro grande” começou.

Se as demissões ocorrerem, além do problema social, estará em risco o serviço de esgotamento sanitário da cidade que é operado por essa mão de obra, pois a empresa pretende deixar a manutenção do sistema a cargo de uma equipe reduzida. Ao jornal a Odebrecht afirmou que está operando no limite e que se as demissões ocorrerem será feito o possível “para que o serviço tenha um mínimo de qualidade, garantindo a coleta do esgoto e o seu tratamento antes de devolvê-lo à natureza”.

A empresa sofreu um baque financeiro com a fixação das parcelas no teto de 15% do que o município receber ao mês da Petrobras por conta dos royalties do petróleo, receita que já registrou até o fim de agosto uma queda de cerca de 60%. Esse limite foi estabelecido por uma lei municipal, cuja constitucionalidade está sendo discutida na Justiça. O problema é que para boa parte das lideranças locais e a representatividade dos moradores, a conta cobrada pela Odebrecht pela Parceria Público-Privada firmada na gestão do prefeito Carlos Augusto Balthazar, é salgada demais, “muito dinheiro para pouco retorno”, entendem.

De acordo com os registros da Prefeitura, na atual gestão já foram repassados ao fundo garantidor da PPP – administrado pelo Banco do Brasil – o total de R$ 116.540.912,48, sendo pagos R$ 52.649.033,09 em 2013, R$ 17.409.674,24 no ano passado e R$ 46.482.205,15 entre janeiro e 31 de agosto deste ano.

 

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