MP quer o fim de loteamento dos postos do Detran

Esquema de corrupção teria sido montado para financiar campanhas de deputados

O Ministério Público quer o governo estadual substituindo os chefes dos postos do Detran indicados por deputados. A finalidade é desmontar um es- quema de corrupção que desde 2007 estaria arre- cadando milhões de reais todos os meses, supos- tamente para financiar as campanhas de parla- mentares da bancada do governo na Assembleia Legislativa. O esquema que – acreditam as autori- dades – pode ter rendido mais de R$ 300 milhões nos últimos seis anos, seria uma rede criminosa que estaria dominando postos da Baixada Fluminense, Zona Oeste do Rio e Região dos Lagos. Desde 2009 já foram desbaratadas várias quadrilhas em diversas unidades, sem, entretanto, desmantelar o esquema. Só do posto de Paracambi, em 2011, foram pressas 22 pessoas. Essa unidade era controlada por Ricardo Loroza Resende, indicado para o cargo pelo deputado estadual André Ceciliano (PT). Um ano depois, em setembro de 2012, 38 pessoas que operavam em Magé, Itaboraí, Niterói, São Gonçalo e Tanguá foram presas numa operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Nessa época o posto de Magé era comandando por um grupo ligado ao deputado Samuel Corrêa da Rocha Junior, o Samuquinha (PR).

Ao todo já foram feitas mais de 20 operações e em quase todas elas pessoas ligadas a deputados estaduais acabaram presas. A última grande operação aconteceu no mês passado, resultando em prisões de funcionários do posto do Detran de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, controlado por parentes e amigos do deputado Jairo de Souza Santos, o Coronel Jairo (PMDB). Só nesse posto, aponta o MP, eram arrecadados cerca de R$ 2 milhões por mês com a legalização de carros em situação irregular. Segundo foi apurado, o chefe do esquema nessa unidade era Hélio de Oliveira, genro do deputado.

No caso do Detran de Paracambi o promotor Bruno Corrêa Gangoni denunciou que a unidade foi transformada “em um verdadeiro balcão de negócios, sendo constatado que muitos dos carros ‘vistoriados’ sequer compareciam ao posto para a realização do procedimento, prática conhecida como ‘vistoria fantasma’. Esses carros de outros municípios, que realizaram os serviços em Paracambi, provavelmente não passariam em uma vistoria regular e se aproveitaram certamente da corrupção que havia no posto”.

De acordo com o que já foi apurado, do esquema fazem parte até pessoas ligadas ao chamado alto clero da Alerj, como é o caso de um sobrinho do presidente da Casa, Paulo Melo (PMDB). Nildo Sá Ferreira era chefe de dois postos de vistoria na Região dos Lagos.  Em um dos postos, em Araruama, eram feitas emissões de documentos mesmo sem que os carros passassem por vistoria. Os laudos – apontou o MP – eram assinados pela mulher de Nildo, Luciana Francisca Bronze.

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