De olho grande no “patinho feio” da Baixada Fluminense

Japeri passou a ser cobiçado por políticos de cidades mais ricas

Com cerca de 100 mil habitantes e extensão territorial de 81,871 quilômetros quadrados, o município de Japeri é o mais pobre da Baixada Fluminense e tem um histórico de problemas sociais e estruturais que formam um quadro capaz de desanimar muitos gestores, mas, de uma hora para outra, passou a ser “objeto de desejo” e “sonho de consumo” de políticos de cidades vizinhas, a ponto de instituições serem usadas para facilitar a tomada de poder da forma mais antidemocrática possível. O jogo sujo das operações espetaculosas foi aplicado descaradamente durante a campanha eleitoral de 2012, com o prefeito Ivaldo Barbosa dos Santos, o Timor (PSD), ficando sob o fogo cruzado vindo do Rio de Janeiro, Queimados e Paracambi, sustentado pelo prefeito queimadense Max Lemos (PMDB), ex-prefeito paracambiense, o deputado estadual André Ceciliano. Timor venceu os dois e as instituições que se permitiram ser usadas para os mais baixos fins políticos, mas ambos não desistiram e continuam de olhar comprido sobre o “patinho feio” da região.

 

O sonho dos que se acham senhores da vontade e da consciência do povo e donos do território alheio, acreditam japerienses mais atentos, não é acalentado por qualquer boa intenção, mas pela vasta área de terra devoluta prontinha para ser ocupada por espertalhões e usada na especulação imobiliária. Grandes áreas de terras mudaram de dono em Japeri nos últimos cinco anos – a maior parte comprada a preço de banana – e deverão mudar de donos outra vez e em breve, mas a preços bem maiores, negócio facilitado por uma via expressa para o desenvolvimento chamada de Arco Metropolitano.

O município de Japeri recebeu o maior volume de obras de sua história nos últimos cinco anos e outras tantas estão em andamento, mas ainda assim está longe de ser objeto de desejo de pessoas comuns, sem informação privilegiada ou facilidade institucional. “O interesse por Japeri passou a ser muito grande nos últimos anos. A cidade não tem nenhum atrativo que não sejam as terras e por essas quem tem poder ou está muito próximo dele é capaz de fazer qualquer coisa. O que fizeram com o atual prefeito antes e durante a campanha foi um massacre. Não sei se isso aconteceria se a cidade não tivesse tanta terra vazia e não estivesse no olho do furação do desenvolvimento que o Arco Metropolitano vai fazer sobrar”, diz o pesquisador e sociólogo Murilo Mendes Fontoura.

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