Casimiro de Abreu não paga nem os garis

Os trabalhadores da limpeza pública foram à Câmara e queriam usar a tribuna livre, mas o presidente não permitiu

Trabalhadores da limpeza urbana reclamam de três meses de atraso e não recebem apoio dos vereadores

Funcionários terceirizados do serviço de limpeza urbana do município de Casimiro de Abreu fizeram uma manifestação ontem em protesto contra a falta de pagamento. Eles reclamam que estão entrando no quarto mês sem salário por conta dos atrasos nas faturas cobradas da Prefeitura pela empresa I. Service Comercial, pela qual são contratados. Os trabalhadores caminharam pelo centro da cidade até a Câmara de Vereadores, onde foram ignorados pelo presidente interino da Casa, Odino Miranda, membro da tropa de choque do prefeito Antonio Marcos Lemos, que vem deixando de honrar muitos compromissos com fornecedores e prestadores de serviços, mas em nenhum momento atrasou os repasses para o Poder Legislativo, que, a exemplo do Poder Executivo, esconde da população o maior volume de seus gastos. De acordo com registros do sistema da Prefeitura, nos últimos dois anos a I-Service recebeu R$ 16,6 milhões dos cofres da municipalidade, dinheiro saído do orçamento da Secretaria de Obras e Serviços Públicos. Foram R$ 7.399.023,31 em 2014, R$ 8.429.029,89 no ano passado e R$ 785.226,15 até o dia 31 de maio.

Alegando falta de recursos o prefeito Antonio Marcos tem deixado empresas que prestam serviços essenciais em dificuldades financeiras e quando estas avisam que vão deixar de operar ele ameaça suspender o contrato. Tem prestador de serviços que já desistiu de trabalhar com a Prefeitura de Casimiro de Abreu e outros, que desde outubro do ano passado não recebem um centavo sequer, estão esgotando suas reservas. “O prefeito só não atrasa as faturas da OS que administra a saúde. Estas ele não deixa de pagar de jeito nenhum. Também tem uns privilegiados que não podem reclamar da vida”, diz um empresário que não recebe desde dezembro.

Acreditando que receberiam apoio na Câmara Municipal, os trabalhadores da limpeza urbana tentaram fazer-se ouvir na tribuna livre da Casa, mas não tiveram êxito, pois Odino Miranda disse que eles deveriam ter apresentado um requerimento antes. “Isto é um absurdo. Pensávamos que a Câmara fosse realmente a casa do povo, mas nos enganamos”, protestou um gari revoltado.

O prefeito Antonio Marcos não foi encontrado para falar sobre o assunto e a empresa, segundo os trabalhadores, prometeu que iria pagar pelo menos um mês de salário, o não teria se confirmado até o fim do expediente de ontem.

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