Sucessor vai pegar contas furadas em Casimiro de Abreu

Antonio Marcos costuma estufar o peito para dizer que é o melhor prefeito que a cidade já teve (Foto: Divulgação/PMCA)

O gestor que espalhou outdoors pela cidade para se propagar como “prefeito empreendedor” não paga o que o município deve: dívida acumulada passa de R$ 50 milhões

Desaparecido das ruas e frequentando pouco o seu gabinete na sede do governo, o prefeito de Casimiro de Abreu parece ter desistido de governar a cidade e também de tentar eleger o sucessor. Mais que isso: os números sugerem que Antonio Marcos Lemos (PSC), que costuma estufar o peito para afirmar que é o melhor gestor que o município já teve, perdeu a mão. De acordo com o sistema da Prefeitura, de janeiro até ontem a receita a líquida era de R$ 74.979.097,23 e os gastos diretos de governo somavam R$ 84.241.368,91, o que equivale a dizer que a administração municipal está gastando mais do que vem arrecadando.

De acordo com fontes ligadas ao governo, a dívida acumulada com fornecedores e prestadores de serviços é de cerca de R$ 55 milhões e deve passar de R$ 100 milhões até dezembro, conta que, pelo andar da carruagem, Antonio Marcos não terá como fechar, caindo desta forma nas garras da Lei de Responsabilidade Fiscal. Se isto acontecer seu futuro político estará ameaçado e ai adeus sonho de eleger-se deputado em 2018. Quanto ao pleito desde ano na próxima sexta-feira o prefeito estará apresentando na convenção do PSC o candidato por ele escolhido, Fábio Kiffer, que, tanto quanto o seu mentor, parece meio desanimado, talvez pela falta de azeitamento da máquina pública ou pelo fato de seu maior apoiador ser um prefeito que demonstrou só saber administrar com os cofres cheios.

Em tempo de vacas gordas Antonio era visto com facilidade das ruas, mas hoje o “melhor gestor da história de Casimiro de Abreu” faz do seu sítio localizado na subida da serra um refúgio contra os empresários insatisfeitos com as faturas atrasadas. Lá só entram os prestadores de serviços mais chegados, os que demoram menos para receber e que têm os contratos mais vantajosos. O prefeito que agora culpa a crise por tudo e tem sempre uma resposta para aqueles que não recebem da Prefeitura nem por reza forte – “o dinheiro acabou” -, teve nos últimos três anos e meio exatos R$ 534.000.389,13 para gastar e mais de R$ 900 milhões nos quatro anos do seu primeiro mandato, muito dinheiro para um município com apenas 35 mil habitantes.

De acordo com os registros no sistema da Prefeitura, em 2014 o município teve uma receita de R$ 273.413.992,05, receita que caiu R$ 176.345.078,17 em 2015 e não deve passar de R$ 160 milhões este ano. Para tentar reduzir um pouco o déficit, Antonio Marcos vem tentando um empréstimo de R$ 40 milhões junto ao Banco do Brasil a título de antecipação de créditos futuros dos royalties do petróleo, mas não há o menor sinal de que o dinheiro vai entrar no caixa da Prefeitura.

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