O que mudou, Dr. João?

O descarte de lixo que Dr. João dizia ser irregular continua sendo feito no mesmo lugar, no bairro Venda Velha. O lixão ganhou cerca e uma entrada com vigilância, mas ainda assim é um lixão

Prefeito de São João de Meriti ignora o próprio discurso e mantém o mesmo esquema de coleta e descarte de lixo. O que para ele era irregular agora parece maravilhoso aos olhos dele

Em agosto de 2016 – no fervor da campanha eleitoral – o então deputado federal João Ferreira Neto, o Dr. João (PR), fez um inflamado discurso na tribuna da Câmara para denunciar supostas irregularidades no contrato e na prestação dos serviços de coleta e descarte de lixo em São João de Meriti, cidade da qual hoje, pelo menos no papel, ele é o governante. Os alvos eram o prefeito Sandro Matos e as empresas Meriti Mais Verde e Verde Gestão, que, de acordo com registros da receita federal pertencem ao mesmo dono, Marcelo Nascimento Andrade, sendo basicamente uma só. Ferreira falava até em crime ambiental, denunciando a existência de um lixão no bairro Venda Velha, segundo ele, “um ponto de descarte adotado pela Prefeitura sem nenhum critério técnico-sanitário”. Passados quase oito meses desde a falação  de Ferreira os serviços continuam ruins e o tal lixão, embora disfarçado, está no mesmo lugar. A única coisa que mudou foi o tratamento dado a empresa contratada: o grupo Verde Ambiental já não é criticado pelo prefeito nem tem mais dificuldades em receber as faturas, pois seus processos não demoram no gabinete nem dormem nas gavetas da Secretaria de Governo.

A tão combatida empresa de coleta de lixo já recebeu este ano mais de R$ 10 milhões dos cofres da municipalidade – sendo R$ 7,8 milhões entre os dias 27 de janeiro e 20 de fevereiro – e João Ferreira nem toca mais em um assunto muito abordado por ele nos palanques de campanha. O homem parece ter esquecido que apontou como criminosa uma concorrência pública realizada no final da gestão passada para a coleta e manejo do lixo por um prazo de 30 anos, no valor global de mais de um R$ 1,7 bilhão, vencida pelo grupo Verde Ambiental, que embora tenha que fazer o recolhimento e o transporte dos resíduos com frota sob sua responsabilidade, conta com uma ajuda e tanto, os caminhões de outra prestadora de serviços. Basta ficar parado por uma hora na entrada do lixão do bairro Venda Velha para constatar o entra e saí dos veículos da empresa Factor Serviços e Assessoria, que loca caminhões e máquinas para a Prefeitura.

“Tomo como exemplo o crime ambiental contra a população da localidade de Venda Velha, no município. O lixão lá localizado é um ponto de descarte adotado pela Prefeitura sem nenhum critério técnico-sanitário, pois não dispõe da infraestrutura mínima para receber lixo. Por estar a céu aberto, ele contamina o solo e o subsolo com chorume e material pesado, como plásticos e demais resíduos. O lixão se encontra ao lado de um conjunto residencial humilde, do Programa Minha Casa, Minha Vida, tornando real a transmissão de doenças pela contaminação direta e sendo ambiente propício à proliferação do mosquito aedes aegypti, vetor de diversas doenças que o Brasil combate”, dizia Dr. João em um trecho do discurso.

 

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