História de Maria Conga será contada no sambódromo

Escrava guerreira de Magé lutava em defesa de seus irmãos africanos

 Para alguns trata-se apenas do nome de uma comunidade quilombola em Magé, mas ela é muito mais que isso. A escrava Maria da Conceição era o terror dos senhores de escravos, pois sem usar de força ou violência, com sua espiritualidade à flor da pele negra, ela conquistou a liberdade física para muitos, mas libertou – espiritualmente falando – um número muito maior de pessoas, negras ou brancas, mestiças ou mulatas. Considerada heroína em Magé, Maria Conga vai ter sua história contada na passarela do samba pela Acadêmicos da Rocinha no desfile de 2020, e uma parceria para isto foi firmada entre a escola de samba e a Secretaria de Educação e Cultura de Magé.

Na última sexta-feira (6) o presidente da agremiação Ronaldo Oliveira e o carnavalesco Marcus Paulo, se reuniram com secretária Álison Brandão, que responde também pela Fundação Educacional e Cultural de Magé. Do encontro saiu uma parceria cultural. A Secretaria de Educação vai disponibilizar os registros históricos para as pesquisas do carnavalesco. “Estamos muito felizes, porque eles vão falar sobre a história da nossa guerreira, Maria Conga, e nós enquanto Secretaria de Cultura estamos participando na primeira conversa. É uma grande honra para a gente ter mais uma vez um pouquinho da história de Magé na Sapucaí representada pela comunidade da Rocinha”, disse a secretária de Educação.

Para o carnavalesco Marcus Paulo a parceria é muito importante no desenvolvimento do enredo ‘A guerreira negra que dominou dois mundos’, no qual vai contar a trajetória de vida e importância de Maria Conga no mundo espiritual. “É o meu traço profissional buscar sobre a história dos negros, que é muito difícil. A gente só descobre a história dos negros quando a gente tropeça por algum motivo, porque isso não é apresentado pra gente academicamente. Pesquisando um outro enredo no ano passado, me deparei com a história de Maria Conga e passei a pesquisar mais. Com todo esse material farto de Magé, consegui construir um enredo para contar a história dessa grande heroína”, afirmou o carnavalesco.

Foi decidido que as crianças do quilombo fundado por Maria da Conceição farão uma  leitura do desenho da Maria Conga. “Nas minhas pesquisas eu percebi que Magé é um município riquíssimo e que preserva a história negra como nenhum outro no Brasil. Isso me impressionou muito! Essa conversa com as pessoas que entendem sobre o assunto foi fundamental, porque ouvimos e absorvemos ao máximo as informações para levar para o meu trabalho. Já discutimos alguns planos interessantes, como por exemplo, uma leitura do desenho da Maria Conga que será feita pelas crianças do quilombo. Essas conversas sempre serão proveitosas e será um grande enredo, onde conta a história dessa grande guerreira, que será conhecida mundialmente”, concluiu.

Comentários:

  1. Que interessante! A cultura negra sendo contada com os ma visão heróica e positiva! Fico feliz e satisfeita em ler essa notícia. Tudo que a história sabe contar é só dá escravidão, dor, morte pobreza e quase nada é falado sobre a realeza, os grandes líderes da liberdade… O que contribui ainda mais para uma sociedade racista. Parabéns a todos os envolvidos!

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