Em pouco mais de um mês Secretaria de Saúde de Magé licitou R$ 34,2 milhões e fornecedora de medicamentos citada em investigações do MP e do TCE ficou com a fatia maior do bolo

Elizeu Pires

A julgar pelos contratos homologados pela Secretaria de Saúde de Magé entre agosto e setembro de 2020 para fornecimento de produtos correlatos e insumos, a rede municipal de atendimento médico deve estar com abastecimento garantido, e o prefeito Renato Cozzolino Harb não teria que se preocupar com isso. Pelo menos é o que sugere o que está oito extratos de contrato, que só informam os valores contratados e os nomes dos fornecedores, sem discriminar itens e quantidades licitadas, conforme pode ser conferido aqui.

Como nem tudo o que está no papel às vezes pode ser levado ao pé da letra em se tratando de administração pública, o novo governo deverá tomar providências no sentido de verificar item por item, pois além dos contratos firmados no período com empresas como Carioca Medicamentos, Preciosa, DDG 2003, Máximo Distribuidora, VLL Serviços e Sogamax, outros pregões teriam ocorrido entre novembro e dezembro, sem que seja possível encontrar informações sobre eles, uma vez que os editais não estão encontrados no site do município.

Ao todo a então gestão anterior homologou oito contratos entre os dias 6 de agosto e 11 de setembro, com valores que chegam a R$ 34,2 milhões, sendo R$ 19,5 milhões em favor da Carioca Medicamentos, empresa citada nas investigações do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado sobre possíveis irregularidades nas contratações emergenciais feitas pela Secretaria Estadual de Saúde para o enfrentamento da covid-19.

Cifras milionárias – Com data de 6 de agosto de 2020 estão os extratos dos contratos 066-A (R$ 5.396.506,60), firmado a Preciosa Distribuidora, 066-B (R$ 9.404.107,20), em favor da Carioca Medicamentos; 066-C (R$ 1.843.128,00), assinado com a VLL Serviços; 066-D (R$ 1.979.414,04), atribuído à empresa DDG 2003 Comércio de Material Hospitalar, e o 066-E (R$ 4.824.069,96), firmado com a Máximo Distribuidora. Esses contratos são referentes ao Pregão 034/2020, aberto para aquisição de produtos correlatos na área da Saúde, e somam R$ 23,4 milhões.

Já no dia 2 de setembro foi firmado o contrato referente ao Pregão 042/2020, vencido pela Carioca Medicamentos. Essa licitação resultou no contrato 071, assinado para fornecimento de “bolsas e adjuvantes para pacientes ostomizados”, com valor global de R$ 2.733.030,00.

Nove dias depois, em 11 de setembro, foram homologados os contratos relacionados ao Pregão 052/2020, cujo objeto foi a “aquisição de insumos para procedimentos da comissão de curativos”. O de número 079-A ficou com a empresa Sogamax Distribuidora, no valor total de R$ 682.940,00, em quanto a Carioca Medicamentos ficou com a fatia maior do bolo, o contrato 079-B, fixado em R$ 7.418.190,00. A soma dos dois contratos é de R$ 8,5 milhões.

Matérias relacionadas:

Ministério Público abre inquéritos para investigar venda de remédios à Saúde do Rio: sete empresas são alvos da apuração, além do ex-secretário da pasta

Tribunal de Contas encontra irregularidades em mais dois contratos para compra de medicamentos feitos pela Secretaria Estadual de Saúde

Mais uma empresa de medicamentos tem pagamento restringido pelo TCE por suspeita de venda superfaturada sem licitação ao governo do Rio

*O espaço está aberto para manifestação dos responsáveis pelos contratos citados na matéria.

Comentários:

Envie seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.