Prefeitura de Magé divulga como seus caminhões da empresa que faz a coleta de lixo e já recebeu cerca de R$ 57 milhões do município

Elizeu Pires

Os caminhões coletores são da empresa que atua no município há quatro anos – Foto: Reproducão/NDM

“Dez compactadoras de lixo adquiridas pelo município foram apresentadas para a coleta domiciliar”, diz um trecho de publicação oficial da Prefeitura de Magé no site do município, o que não é verdade, uma vez que a administração municipal não fez nenhuma compra de equipamentos, e muito menos abriu qualquer processo licitatório nesse sentido.

Os caminhões compactadores exibidos na praça da cidade na última quinta-feira (4) pertencem à Líbano Serviços de Limpeza Urbana e Construção  Civil, que tem como nome fantasia a marca Limppar. A empresa tem contrato com a municipalidade desde o segundo semestre de 2016 para fazer a coleta de lixo na cidade e já recebeu dos cofres municipais cerca de R$ 57 milhões.

De acordo com documentos que podem ser conferidos aqui, a Líbano recebeu dos cofres municipais até dezembro do ano passado exatos R$ 56.914.711,68. Foram R$ 4.061.187,26 em 2016, R$ 6.112.509,12 no ano seguinte, R$ 11.585.860,80 em 2018, R$ 18.495.419,54 em 2019 e R$ 16.659.734,96 em 2020.

A Líbano está registrada na Receita Federal em nome de Mônica Lima Barbosa, mulher do empresário Fernando Trabach Gomes, apontado pelo Ministério Público como líder de uma organização que teria sido montada para fraudar processos licitatórios em várias prefeituras. Os dois foram presos em agosto de 2017 na “Operação Caça Fantasma” e voltaram a ser detidos três meses depois, dessa vez acusados de um suposto golpe no setor imobiliário.

O casal controla mais duas empresas de coleta de lixo, a Kattak Serviços e Norte Brasil Serviços. Trabach, é acusado pelo Ministério Público de ter usado uma pessoa fictícia, George Augusto Pereira da Silva, para fraudar processos licitatórios.

*O espaço está aberto para manifestação da Prefeitura de Magé.

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