Magé: Escola concorrente de colégio da família do prefeito passa funcionar com decisão judicial, mas diretoras temem mais perseguição por parte da Prefeitura

Elizeu Pires

Fiscais da Fazenda e agentes da Guarda Municipal participaram da interdição da escola

“Atenção, empreendedores! Caso queiram investir no município de Magé, façam primeiro uma pesquisa para verem se seus negócios não irão afetar os interesses comerciais de alguns parentes do prefeito Renato Cozzolino Harb, ou dele mesmo”.  O alerta aqui visa chamar a atenção para um fato lamentável de perseguição com o uso da máquina pública – agentes de Fiscalização da Secretaria de Fazenda e Guarda Municipal –, que passaram pelo menos uma semana em frente uma escola particular recém-inaugurada em Piabetá, para impedir que ela funcionasse. Isso se faz necessário para despertar Renato para o fato de que o município do qual ele está prefeito, pertence ao povo que nele habita e o sustenta com trabalho e impostos, não sendo extensão do quintal de uma família, por mais rica e poderosa que essa possa ser.

A unidade de ensino em questão é o Centro de Educação Mobi, criado e dirigido pelas educadoras Camila Amorelli e Carmem Lúcia de Freitas, e está aberta graças à uma decisão judicial em mandado de segurança, mas elas temem que a perseguição continue. É que nos últimos dias um trecho da Rua Magé – via onde a escola funciona – teve a mão invertida em um trecho para dificultar o acesso dos carros dos pais dos aluno. “Só queremos trabalhar, e estamos fazendo isso do modo certo”, diz elas.

Documentação ignorada – O Centro de Educação Mobi está legalizado desde novembro do ano passado, possuindo toda documentação necessária, inclusive o Selo Escola Legal, instituído pela Secretaria Municipal de Educação em 2019, que algumas instituições ainda não teriam conseguido obter, mas isso parece não dizer nada para os que se acham donos do poder e da cidade.

De acordo com as diretoras da unidade, todas as documentações exigidas pela fiscalização da Secretaria de Fazenda foram apresentadas, mas ainda assim a escola foi interditada, por ato emitido no dia 8 de fevereiro. “Nós apresentamos toda a papelada necessária, mas ainda assim optaram por interditar nossa escola. Se isso não é um ato de perseguição é o que, então?”, indaga a diretora Camila Amorelli.

Mais perseguição –  De acordo com as diretoras do colégio, quando se esperava que o mandado de segurança impetrado na Justiça colocasse fim anos constrangimentos impostos pela Prefeitura, duas professoras do Mobi – que são funcionárias concursadas da Secretaria Municipal de Educação – foram transferidas das unidades públicas em que atuavam para serem impedidas de terem um segundo emprego na escola perseguida, e ontem (10) as educadoras responsáveis pelo Mobi foram alertadas de que a próxima ação seria a abertura de um buraco em frente ao colégio, a pretexto de uma obra para troca de manilhas.

Segundo as diretoras, as professoras de carreira foram transferidas quando Jamile Cozzolino – vice-prefeita e irmã do prefeito – ainda respondia pela Secretaria de Educação. Em tempo: Jamile é filha da ex-deputada Jane Cozzolino, que aparece em um áudio reclamando do fato de a Escola Mobi ter sido instalada na Rua Magé, em Piabetá, onde funciona uma das unidades do Centro Educacional Cozzolino, uma rede da qual o próprio prefeito figura como sócio.

*O espaço está aberto para manifestação da Prefeitura de Magé.

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