OS que gere hospital de Casimiro de Abreu, proporcionalmente falando, custa mais aos contribuintes que instituição que administrava duas unidades em cidade com universo populacional 12 vezes maior

Elizeu Pires

Com cerca de 520 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE, o município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, desembolsava, em média R$ 2,5 milhões mensais para que uma organização social administrasse um hospital que atende também a pacientes de cidades vizinhas, e mais uma Unidade Mista de Saúde. Em Casimiro de Abreu, cidade do interior do estado do Rio de Janeiro, com 12 vezes menos moradores (45 mil), também é uma organização social que administra o hospital municipal, com a Prefeitura pagando, proporcionalmente falando, mais caro ao Instituto Multi Gestão, que começou a atuar no município – hoje governado pelo prefeito Ramon Gidalte – em dezembro de 2019.

De acordo com documentos que podem ser conferidos aqui, o IMG recebeu até janeiro deste ano R$ 32,8 milhões. Os registros mostram que logo no primeiro mês de gestão no Hospital Municipal Casimiro de Abreu a OS recebeu R$ 2.074.587,27. O total recebido em 2020 chegou R$ 25.596.818,93, o que a média de R$ 2,1 milhões por cada um dos 12 meses do ano passado. Ainda de acordo com os documentos, o IMG recebeu no atual governo R$ 5.132.184,20, divididos em valores datados 4 e 29 de janeiro. O sistema ainda não mostra números referentes a fevereiro e março.

Sem transparência – Quem busca pelo contrato 01/2019 firmado entre o Fundo Municipal de Saúde e o Instituto Multi Gestão pelo então prefeito Paulo Dames não o encontra no Portal da Transparência. Isso impede que o cidadão interessado em fazer o controle social lhe garantido por lei fique sabendo, por exemplo, o número de funcionários contratados pelo IGM para atuar no hospital, quais funções ocupam, quanto recebem de salários e quanto cada um deles custa efetivamente aos cofres da municipalidade.

Ditas entidades sem fins lucrativos, as organizações sociais tem sido alvos constantes de criticas pelos serviços prestados e pelo fato de não cumprirem compromissos trabalhistas. O Instituto Multi Gestão, por exemplo, é réu em ações trabalhistas movidas nas Varas da Justiça do Trabalho de São Gonçalo e Macaé.

*O espaço está aberto para manifestação da Prefeitura de Casimiro de Abre e da direção do Instituto Multi Gestão.

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