Prefeitura de Magé já está abusando da falta de transparência, mas a Câmara de Vereadores não faz nenhuma cobrança nesse sentido

Elizeu Pires

A Prefeitura mostra uma receita líquida de R$ 213,4 milhões, mas não revela os gastos com fornecedores, prestadores de serviços e pessoal

Os avisos de licitação são publicados em jornal que não circula na região, os boletins oficiais só são disponibilizados com (no mínimo) uma semana de atraso e os valores gastos com fornecedores e prestadores de serviços não aparecem para consulta de jeito nenhum, muito menos dados relativos à folha de pagamento. O que a Prefeitura chama de Portal da Transparência foi atualizado pela última vez no dia 5 de maio, revelando uma receita líquida de R$ 213,4 milhões até aquela data, quando a estimativa é de que já deve estar hoje beirando a casa dos R$ 230 milhões, pois só em transferências constitucionais a gestão do prefeito Renato Cozzolino Harb havia recebido até ontem (10), R$ 104,4 milhões.

Recentemente a Prefeitura divulgou um contingenciamento de R$ 38,2 milhões, o que representa 6,4% do orçamento aprovado para o exercício de 2021, e que o gabinete do prefeito seria o mais afetado. O problema é que a administração não revela seus gastos de forma clara, não disponibilizando, por exemplo, a listagem dos fornecedores, impedindo que o cidadão interessado em fazer o controle social lhe assegurado por lei fique sabendo quanto as empresas com contratos nos setores de Saúde e Educação – que tem um volume maior de gastos, receita garantida e as maiores dotações orçamentárias – já receberam até agora, e o que a atual gestão quitou de restos apagar do governo anterior e a quem.

Se a Prefeitura não é clara com suas receitas e despesas, o Demonstrativo de Distribuição de Arrecadação do Banco do Brasil não esconde nada. Os repasses constitucionais em janeiro, primeiro mês da gestão Cozzolino, foi de R$ 29.605.669,07, subindo a R$ 31.260.787,87 no mês seguinte. Em março os repasses somaram R$ 29.691.823,19 em abril, e nos 10 primeiros dias de março os recebimentos foram de R$ 7.815.725,39.

Quem assistiu a posse do prefeito ouviu Renato Cozzolinio Harb falar em transparência. Disse que esperava isso da Câmara de Vereadores, que, além de não cobrar do prefeito essa tal de transparência com os gastos públicos, também não mostra as suas contas.

*O espaço está aberto para manifestação da Prefeitura e da Câmara de Vereadores de Magé.

Documentos relacionados:

Repasses Magé – janeiro 2021

Repasses Magé – fevereiro 2021

Repasses Magé – março 2021

Repasses Magé – abri 2021

Repasses Magé – maio 2021

Matérias relacionadas:

Prefeitura de Magé valida compra de R$ 37,2 milhões em medicamentos, mas não revela o que está sendo adquirido

Magé: Com validação pela atual gestão de contratos não publicados pelo governo passado, faturamento de empresas investigadas pelo MP e o TCE pode chegar a R$ 55,2 milhões

Licitações em segredo em Magé: avisos são publicados em um jornal de Barra Mansa e os editais não são encontrados no site da Prefeitura

Envie seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.