Serviço de coleta de lixo em Magé poderá custar R$ 3,5 milhões mais caro com licitação marcada para 21 de setembro

● Elizeu Pires

Tendo custado o total de R$ 16,8 milhões em 2020, o serviço de coleta de lixo no município de Magé custará mais caro, um acréscimo que pode chegar a R$ 3,5 milhões, sem significar ampliação da frota de caminhões ou mais gente trabalhando nas ruas, nem a inclusão dos resíduos da saúde no contrato. Pelo menos esse aumento de objeto não está no edital do Pregão 041, marcado para as 10 horas do dia 21 de setembro, com valor global estimado R$ 20.473.233,86 por 12 meses de “execução dos serviços de coleta de resíduos sólidos domiciliares até o aterro sanitário de Bongaba”, em Piabetá.

A coleta de lixo vem sendo feita no município pela Líbano Serviços de Limpeza Urbana e Construção Civil – que usa como nome fantasia a marca Limppar – desde 2016, ano em que recebeu dos cofres da municipalidade a soma de R$ 4.061.187,26. Desde então a empresa já recebeu cerca de R$ 60 milhões da Prefeitura de Magé, sem contar os valores pagos entre abril e agosto de 2021, já no que a gestão do prefeito Renato Cozzolino Harb chama de Portal da Transparência só mostra dois pagamentos feitos em fevereiro e um em março, um total de R$ 5.561.325,68, não revelando os valores que teriam sido destinados à empresa entre abril e agosto.

Continuidade – Entre algumas empresas do setor que operam no estado do Rio de Janeiro a aposta é de que o contrato do lixo em Magé permanecerá com a Líbano Serviços, que embora não esteja registrada no nome dele, é controlada pelo empresário Fernando Trabach Gomes, e, segundo um empresário do setor, “ninguém gosta de concorrer com ele”.

O sistema da Prefeitura omite os pagamentos que teriam sido feitos entre abril e agosto de 2021

A Líbano Serviços de Limpeza Urbana e Construção Civil consta como aberta em 31 de maio de 2012, com capital social de R$ 12 milhões tendo como sócia administradora Mônica Lima Barbosa, que seria esposa de Fernando Trabach, que chegou a ser apontado pelo Ministério Público como líder de uma organização que teria sido montada para fraudar processos licitatórios em várias prefeituras. O casal foi preso em agosto de 2017 na Operação Caça Fantasma.

Conforme documentos que podem ser conferidos aqui, a empresa recebeu R$ 4.061.187,26 em 2016, R$ 5.515.517,63 no ano seguinte, R$ 9.489.521,35 em 2018, R$ 16.801.600,97 em 2019 e R$ 16.899.665,31 em 2020, com o sistema registrando a soma de R$ 5.561.325,68, este ano, sem computar valores que teriam sido pagos em abril, maio, junho, julho e agosto.

*O espaço está aberto para manifestação da Prefeitura de Magé.

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