Olhares atentos sobre Saquarema

O poder em Saquarema, dizem os observadores mais atentos, é visto como propriedade particular (Fotos: Divulgação/PMS

A cidade é vista como o último reduto do coronelismo, onde o vale tudo é apontado como ameaça à vontade povo

Com cerca de 85 mil habitantes e quase 63 mil eleitores, Saquarema, cidade da Região dos Lagos Fluminense, está no olho do furacão. O município, que é visto como propriedade particular por um grupo que se sente dono da vontade do povo, pode ter este ano a eleição mais tumultuada de sua história, pois quem está no controle não quer perder, principalmente no momento em que a cidade passou a receber repasses mensais de royalties do petróleo no valor de cerca de R$ 5 milhões, receita que pode dobrar em 2017.

De acordo com a propaganda oficial Saquarema é uma das cidades mais desenvolvidas do país, mas o comportamento dos que se dizem senhores do lugar é de político do interior. Alguns chegam a dizer ao eleitor que há como identificar quem não votou no indicado. Isto, aos desinformados, soa como ameaça velada de se perder um emprego, um favor pessoal ou até mesmo uma simples cesta básica. E é exatamente a este covarde instrumento de pressão que os observadores estão atentos.

Com sete mandatos consecutivos, o deputado estadual Paulo Melo sempre foi destacado como um dos parlamentares mais influentes do estado e em Saquarema é apontado como dono da cidade. Marido da prefeita Franciane Motta (PMDB), Paulo foi citado no noticiário – em outubro de 2008 – pelo fechamento de um centro social, que amanheceu com uma placa na porta apontando o motivo: “ingratidão”. Isto aconteceu depois que Franciane foi derrotada nas urnas por Dalton Borges. Para reverter a situação recorreu-se a Justiça e esta anulou os votos de Borges, colocando Franciane na Prefeitura. Na época Paulo negou ter fechado o centro social por conta da derrota e alegou que a placa foi posta por seus adversários políticos.

Passados quase oito anos desde o inesperado fracasso nas urnas, Melo está diante de mais uma batalha pela manutenção do poder. Ele lançou um assessor para enfrentar o ex-prefeito Antonio Peres, apontado por membros do grupo do parlamentar como “grande adversário” para o homem de confiança de Melo, Hamilton Nunes de Oliveira, o Pitico. A campanha só vai começar no dia 16 deste mês, mas a polarização já se desenha nas ruas e o clima de medo também já paira no ar.

Para algumas lideranças contrárias aos atuais “donos” do poder na cidade, o ideal seria que o próprio deputado se lançasse candidato à prefeito. “Não podemos negar que ele, como parlamentar, trouxe muitos recursos para o município, mas isto não lhe dá o direito de posar de senhor da cidade. Hoje ele já não tem aquele prestígio todo junto ao governo estadual nem muita força na Assembleia Legislativa e penso que seria bom que se apresentasse ele próprio como candidato, para que ficasse claro que o cidadão saquaremense não aceita ser conduzido por alguém com um cajado na mão”, diz um líder partidário que aposta em um futuro diferente.

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