Devassa nas compras de remédio preocupa em Silva Jardim

Administração municipal tem vários contratos sob investigação

Ainda desaparecido da cidade, o prefeito reeleito de Silva Jardim, Wanderson Gimenes Alexandre, o Anderson Alexandre (foto), vai entrar em 2017 com a mesma dor de cabeça que vem lhe transtornando desde que o Ministério Público decidiu investigar vários processos de licitação para fornecimento e prestação de serviços, as compras feitas para a rede de Saúde. Alvo de inquéritos no MP e réu em várias ações nas quais é acusado de improbidade administrativa (inclusive com pedidos de afastamento do cargo e até um de prisão), Anderson, de acordo com o sistema de registros de pagamentos feitos pela administração municipal, gastou, entre janeiro de 2013 e 31 de agosto deste ano, cerca de R$ 16,5 milhões com remédios e, pasmem, o maior fornecedor individual – pelo total recebido dos cofres da municipalidade no período – é uma farmácia que, pelo menos é o que consta no cadastro da Prefeitura, está localizada a 240 quilômetros do município. De acordo com os dados do sistema, a Farmácia Amaral de Itaocara faturou R$ 3.738.064,30, mais que a distribuidora Kadmed Medicamentos, sediada em São Gonçalo, que recebeu R$ 3.633.515,74.

A perturbação do prefeito com as denúncias, inquéritos e processos judiciais é tanta que ele nomeou o promotor de Justiça da cidade, Marcelo Arsênio como inimigo e o atacou bastante durante a campanha eleitoral, ignorando que a maioria das ações propostas contra ele foi ajuizada pelo núcleo do MP de Araruama, mas goste o prefeito ou não, a atuação do Ministério Público tem sido o único auxilio dado aos contribuintes de Silva Jardim – uma das menores e mais pobres do estado -, uma vez que Anderson tem o controle da Câmara de Vereadores, que é comandada por um funcionário de sua rede de drogarias, Roni Luiz Pereira, o Roni da Farmácia, que já se considera reeleito para continuar presidindo a Casa por mais dois anos.

Os registros de pagamentos da Prefeitura aponta que a Farmácia Amaral de Itaocara recebeu R$ 620.558,39 este ano, R$ 1.600.986,33 em 2015, R$ 600.751,41 no ano anterior e R$ 915.768,17 em 2013, enquanto a Kadmed faturou R$ 1.525.813,85 em 2015 e R$ 2.107.701,89 2014.

Os demais fornecedores remédios para a rede municipal de Saúde de Silva Jardim são as empresas atacadistas Carioca Medicamentos e M4X, que teriam ligações com ao mesmo grupo que controlaria a Kadmed. A Carioca recebeu R$ 1.121.627,93 entre 2013 e 2015 e a M4X, registra o sistema, R$ 2.052.451,39 de 2014 a agosto deste ano. Também atuam junto à Prefeitura as Telemedic (que recebeu R$ 2.902.753,25), a Humanas Biomédica (R$ 138.510,00), Sogamax (R$ 2.594.509,14) e a E. Zacarias do Nascimento (R$ 294.309,85).

No caso da Farmácia Amaral de Itaocara, apesar de os pagamentos serem feitos a ela, há informações de que o fornecimento seria feito por uma minúscula farmácia de Silva Jardim, a Drogaria Kanaã.

 

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