Joesley usou “gravador vagabundo” para incriminar Temer

Afirmação é de um dos maiores especialistas em áudio do Brasil, o perito Ricardo Molina, que apontou mais de 60 cortes, sendo seis falhas no trecho sobre Eduardo Cunha

“É uma gravação tão contaminada que não pode ser levada a sério. Ela só está sendo levada a sério pelo contexto político que a circunda. A Procuradoria é ingênua e incompetente. Aquilo é coisa de leigo e que não sabe mexer em áudio. Eles se esconderam atrás de frases como índice provável de confiabilidade. Essas duas pessoas [analistas do MPF] não entendem nada de áudio”. A afirmação é de Ricardo Molina (foto), um dos maiores especialistas do Brasil. Molina – que é professor Unicamp e um perito em fonética forense, tendo atuado em centenas de casos em processos criminais – foi contratado pela defesa do presidente Michel Temer para analisar o áudio em que o presidente conversa com o empresário Joesley Batista, que comanda o grupo JBS, que fez o acordo de delação com o Ministério Público Federal.

Na análise Molina apontou cerca de 60 pontos potenciais de edição. “Não dá para dizer que é edição. Tem alguma falha sistêmica neste gravador. A questão é: dá pra garantir que é autêntica? Não. Há inúmeras portas na gravação para quem queira fazer uma edição”, disse antes de afirmar que a gravação não é original. Para o especialista trata-se de uma gravação “inteiramente contaminada por inúmeras descontinuidades, mascaramentos por ruídos, longos trechos ininteligíveis ou de inteligibilidade duvidosa e várias outras incertezas” e por isso “não poderia ser considerada como prova material válida”.

 Em alguns pontos do áudio, afirma ele, “existem inúmeros pontos na gravação nos que se poderia efetuar, sem deixar qualquer vestígio, uma edição envolvendo corte de material original”.  Ele defende que a gravação deveria ser considerada imprestável desde o primeiro momento. “Há eventos suspeitos. Estou inclinado a dizer que sim [foi manipulada]”, declarou, questionando o motivo que levou a Procuradoria Geral da República a se apressar “em publicizar uma gravação tão nitidamente corrompida antes de submetê-la a uma perícia técnica rigorosa”.

Ainda de acordo com a avaliação do perito, Joesley usou um “gravador vagabundo” para captar o áudio, uma espécie de pen-drive dotado de microfone e gravador. “Causa estranheza que uma gravação tão importante tenha sido feita com gravador tão vagabundo. Esse gravador custa 26 reais no Mercado Livre. Joesley poderia ter comprado uma coisa um pouquinho mais cara. A gravação está inteiramente contaminada, com longos trechos ininteligíveis e várias outras incertezas. Num processo normal, essa gravação sequer seria aceita como prova em função do excesso de vícios que ela tem”, concluiu, explicando que no trecho em que o Batista falava sobre Eduardo Cunha foram encontradas seis falhas.

Comentários:

  1. Falso ou verdadeiro, equipamento ruim, isso já não tem nenhuma importância, o estrago já está feito! Agora penso que esse governo corrupto ou não, já deveria ter largado o file a muito tempo. Lhes pergunto por que devemos estar pagando essas contas altíssimas da corrupção??? Chega, basta, parem de molestar o povo, o que querem mais???

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