Indústria do reboque em N. Iguaçu rende mais nos fins de semana

Quem tem o carro rebocado na sexta-feira só consegue a liberação na segunda depois de pagar R$ 543,64

Orientação seria remover o maior volume de veículos possível às sextas-feiras

Lançada no dia 7 de março pela Secretaria de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana, a operação Trânsito Legal colocou em último lugar o objetivo de “conscientizar os motoristas de que é preciso respeitar às leis de trânsito, visando à fluidez e a mobilidade urbana”, colocado na frente sempre que o secretário Herval Barros é questionado sobre o assunto. Multar, gerar receita, é isso que importa agora. Pelo menos é o que sugere informação de fonte do próprio governo, dando conta de que a orientação seria rebocar a maior quantidade de carros possível às sextas-feiras, porque o veiculo removido só poderá ser liberado na segunda-feira, depois de ser paga uma taxa mínima de R$ 543,64, que cai na conta da empresa Pagar-me Pagamentos, especializada em cobranças online. O serviço de reboque e a administração do depósito público de Nova Iguaçu foi entregue pela Prefeitura, sem licitação, à Rodando Certo Serviços de Estacionamento, que vem faturando alto no município, cobrando diária de R$ 88,39, taxa de reboque no valor de R$ 186,58 e mais R$ 3,50 pela emissão do boleto, isso nos casos de veículos leves.

“Precisamos fazer com que as pessoas entendam que é preciso respeitar às leis senão o trânsito para”. A afirmação feita por Herval Barros no fia do lançamento da operação, entretanto, só vale para os condutores de carros particulares. Motoristas de vans e kombis podem fazer o que bem entendem. O tão zeloso e cumpridor das leis secretário de Transportes, Trânsito e Mobilidade Urbana e seus agentes não vêem, por exemplo, os verdadeiros ferros-velhos ambulantes que prestam serviços ao município através da Empresa Municipal de Limpeza Urbana (EmLurb). Caminhões enferrujados, faróis e lanternas quebradas, alguns com documentação atrasada há mais de cinco anos, transitam livremente pelo centro da cidade e bairros periféricos, sem que seus condutores sejam incomodados pela operação Transito Legal.

Muito criticada durante a campanha eleitoral pelo hoje prefeito, a indústria da multa e do reboque de veículos não teria vez em sua gestão, segundo Rogério Lisboa, que resolveu intensificar as ações. Ninguém é contra a fiscalização do trânsito na cidade, o problema é que os agentes envolvidos na fiscalização não agem em relação aos ônibus e as vans do transporte alternativo, os verdadeiros vilões do trânsito nas ruas de Nova Iguaçu. Na semana passada, por exemplo, o governo foi criticado por isso até por membros de sua bancada na Câmara. O vereador Marcelo Lages apontou exageros numa operação recente na localidade de Miguel Couto, onde aconteceu um verdadeiro arrastão.

Segundo a fonte, estão sendo rebocados tanto veículo que o depósito alugado da Rodovia Presidente Dutra tornou-se pequeno e os donos do negócio já estariam pensando em locar outro terreno. Indagada sobre o fato de suas operações não visarem os velhos caminhões basculantes que fazem a coleta de lixo e entulho para a Emlurb, a secretaria não se manifestou até o fechamento dessa matéria.

 

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