Itaboraí quer saber quem está governando

Em seu discurso de campanha o prefeito Sadinoel Oliveira falou em fazer muito com pouco, mas sua gestão ainda não mostrou como isso será feito (Foto: Felipe Aguiar/O São Gonçalo)

Há exatos 352 dias do cargo o prefeito ainda não mostrou a que veio

“Com a crise que assola o estado e o país, é tempo de trabalharmos com pouco para fazer muito.” Essa frase marcou o discurso de posse do prefeito Sadinoel Oliveira no dia 1º de janeiro, mas 2017 está acabando e os moradores de Itaboraí continuam esperando o início das mudanças prometidas durante a campanha. Na verdade o que querem saber mesmo é quando ele começará a governar, já que – segundo alguns de seus próprios aliados – tem muito cacique, ninguém resolve nada e o prefeito fica parecendo figurante de um daqueles filmes de baixa bilheteria. Um aliado lembra que até pouco tempo a presença de um nome polêmico ligado ao poder em Tanguá vinha causando desconforto a alguns secretários, mas hoje o que estaria incomodando seria a interferência de vereadores e tratamento dado a um mesmo grupo de fornecedores. O fato é que passados 352 dias desde a chegada Sadinoel ao governo, o que algumas lideranças comunitárias perguntam é: “Quem está governando Itaboraí?”

O setor de saúde, por exemplo, está completamente abandonado. Apesar das despesas altíssimas e de contratos para fornecimento de materiais médicos e medicamentos firmados com empresas que não existem nos endereços apontados como sede, tem faltando remédios e até os materiais mais básicos nas unidades de atendimento, assim como médicos e pessoal de apoio, graças a uma terceirização mal definida, segundo aponta gente que entende do riscado.

De acordo com o sistema de registros de despesas da Prefeitura, a JAG Comércio e Serviços S/A (que nos contratos firmados com o município dá como sede a Casa 1 do número 80 da Rua Ary de Carvalho, em Guapimirim, mas ninguém a conhece por lá), recebeu este ano mais de R$ 1,6 milhão pelo fornecimento “de medicamentos a fim de suprir as necessidades do Programa de Diabetes do Município”. Pelo que está nos registros foram feitos a ela pagamentos nos valores de R$ 299.650 (Empenho 406/2017), R$ 506.650 (Empenho 740/2017) e R$ 880.500 (Empenho 1009/ 2017). 

O sistema mostra também que em setembro deste ano a mesma JAG, ainda com o endereço de Guapimirim, firmou um contrato de R$ 3.695.122,14 para realizar obras no bairro Engenho Velho e que o Fundo Municipal de Saúde fez dois contratos de mais de R$ 3,3 milhões com a Romano Representações e Serviços (também não encontrado no endereço citado como sede), para abastecer unidades médicas.

Quem conhece o prefeito diz tratar-se de um homem bem intencionado, que não admite coisas erradas e que não hesitaria em cortar cabeças se fosse necessário. Porém, os mais atentos ao que acontece na Prefeitura estão vendo um gestor de voz baixa e pulso fraco, pois já teria sido alertado de que grandes contratos estão indo para um mesmo grupo e avisado de que algumas empresas não estariam preparadas para atender o município, mas mesmo assim não tomou nenhuma posição mais firme.

 

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