Magé pode ter um monte de candidatos a deputado em 2022 e não eleger nenhum por causa da divisão dos políticos locais e da opção por nomes de fora, alertam os números das eleições de 2018

Elizeu Pires

Dr. Luizinho teve quase cinco mil votos em Magé. O que se pergunta é: O que a cidade ganhou em troca dessa votação?

Se ainda estiver no mandato em 2022 – sua situação jurídica ainda não foi definida – o prefeito Renato Cozzolino Harb (PP), poderá ser um grande cabo eleitoral, mas resta saber de quem. Comprometido com o deputado Luiz Antonio Teixeira Junior, o Dr. Luizinho, que controla através de um apadrinhado a Secretaria Municipal de Saúde, deve ser esse o seu preferido para deputado federal – caso o parlamentar não opte por concorrer a uma cadeira no Senado -, quando o mais indicado seria a escolha de um nome local. Porém, como os locais não se beijam quando o assunto é um mandato eletivo, poderá acontecer como ocorreu em 2018: a maioria dos votos foi para nomes de fora, elegendo políticos que, computada a votação, não aparecem nem para agradecer e não mandam uma emendazinha sequer para ajudar o município.

Nas eleições municipais de 2020, de um universo de quase 190 mil eleitores, 150.382 votantes foram às urnas. Do total 10.477 anularam seus votos, e 5.426 votaram em branco. Nas eleições de 2022, mesmo descartando um acréscimo no número de eleitores, o municio terá força suficiente para eleger ao menos dois deputados federais e três estaduais, se as forças forem reunidas em função de nomes locais. O problema é o ego, a vaidade de quem não consegue sequer um mandato de vereador, mas se acha com cacife para ser deputado, e acaba servindo de cabo eleitoral de luxo, somando na nominata que vai dar mandato a um figurão de fora.

Conforme o elizeupires.com revelou na matéria Números mostram que eleitor de Magé rejeitou nomes locais, veiculada no dia 2 de novembro de 2018, na eleição daquele ano 63,52% dos eleitores mageenses optaram por candidatos a deputado federal de fora. Por consequência, o município não elegeu nenhum representante em Brasília. Se hoje tem um é porque Wladimir Garotinho foi eleito prefeito em Campos, abrindo vaga para o primeiro suplente Ricardo Correia de Barros, o Ricardo da Karol. Os números mostram também que 43,66 dos votos para deputado estadual foram para nomes de outras cidades.

Dos 46 candidatos a deputado federal declarados eleitos em 2018 todos foram votados em Magé, embora a grande maioria deles nem conheça a cidade. Eles somaram 37,94% dos 63,46% da votação conferida a nomes de fora que concorreram à Câmara dos Deputados naquele ano, e o “forasteiro” mais votado no município foi Dr. Luizinho (4.984), seguido de Helio Lopes (4.099), Flordelis (3.006), Gutemberg Reis (2.446) e Sóstenes Cavalcanti (2.360). Dos de fora votados em Magé apenas Sóstenes recompensou o município com emendas parlamentares.

*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria.

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