Compra de votos pode ter feito a diferença em Aperibé

Flávio Berriel, era presidente da Câmara quando o cargo de prefeito caiu em seu colo no final de 2015 (Foto:CMA)

Além de distribuir material de construção prefeito é acusado de contratações em período eleitoral

Alguns dos que tiveram acesso à íntegra do processo no qual o prefeito Flávio Diniz Berriel, o Dezoito (foto) teve o mandato cassado pelo juízo da 34ª Zona Eleitoral vê poucas chances de ele vir a reverter a situação em instância superior e chegam a apostar numa eleição suplementar, com os eleitores de Aperibé – uma pequena cidade do Noroeste Fluminense –, sendo convocados para eleger novos prefeito e vice. Além disso, a situação jurídica do prefeito que já vista como “muito delicada”, pode se complicar com outro processo, esse pela suposta contratação irregular de pessoal, com a Prefeitura recrutando trabalhadores temporários em pleno período eleitoral. Dezoito, que assumiu o governo em dezembro de 2015, foi eleito no ano passado com 3.823 votos, uma diferença de 194 sobre o segundo colocado, o empresário Vandelar Dias da Silva, que concorreu pelo PSDB e obteve 3.629 votos. De acordo o que foi denunciado, Berriel contratou mais de 400 funcionários em 2016, pelo menos 80 em período vedado pela legislação.

Com dois mandatos de vereador, Flávio Diniz Berriel, ganhou a Prefeitura no final de 2015 de presente de um xará, o ex-prefeito Flávio Gomes de Souza (PSB) que, se antecipando a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral no processo em que fora acusado de trocar cestas básicas e eletrodomésticos por votos em 2012, renunciou ao mandato, junto com o vice-prefeito Adimilson Jorge Bom (PR). Na melhor das hipóteses, avalia um especialista na matéria, o mais “leve” que poderia acontecer ao prefeito é ele ir se segurando no cargo com liminares, até uma decisão final daqui a 18 ou 24 meses e ser afastado e vir a ser substituído, no último ano ou em suas vésperas, pelo vereador que estiver ocupando a presidência da Câmara quando o processo tiver transitado em julgado, repetindo a história recente.

Então presidente da Câmara Municipal, Dezoito assumiu a cadeira, concluiu o mandato de Gomes e pode entrar para a história como o governante que mais besteiras teria feito em menos de um ano de gestão, como, por exemplo, a compra de cerca de R$500 mil em materiais de construção para, segundo investigação do Ministério Público, distribuir a eleitores durante a campanha eleitoral. Segundo conta do inquérito do MP e da sentença da juíza Cristina Sodré Chaves que o condenou Dezoito – junto com o vice-prefeito Ronaldo de Cássio Daibes Moreira – a perda do mandato, a empresa Germar Materiais de Construção teve três notas de empenho emitidas em seu favor a partir de agosto de 2016 e fazia a entrega a moradores dos conjuntos populares do bairro Ponte Seca que chegavam à loja com uma notinha com a seguinte descrição: “autorizado 18”, uma referência ao apelido do prefeito. 

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Comentários:

  1. O coronelismo ainda impera em muitas cidades do interior. A exploração da pobreza com a troca de cestas básicas e materiais de construção por votos é uma realidade nesse nosso país, o que é lamentável.

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