Somos tão felizes quanto optamos ser

Uma reflexão de Natal

"As pessoas são tão felizes quanto decidem ser". A frase do 16º presidente norte-americano, Abraham Lincoln, pode ser interpretada de várias maneiras, mas a mim diz, diretamente, que somos os únicos responsáveis por nossa felicidade. A felicidade habita a alma daquele que vive em paz consigo mesmo, do que luta as suas próprias batalhas; do que cai, levanta-se e continua caminhando em direção ao destino escolhido; do que vê o seu igual como igual, mesmo que esse possa parecer a alguém, de alguma forma, diferente... 

Um convite a reflexão

(Das deusas de nossas ruas)

Toda rua tem uma deusa. Pode não ser a mais bonita do bairro, mas, com certeza, daquele nosso universo particular - a rua onde crescemos em meio aos sonhos e uma realidade de brincadeiras -, é a mais bela. A deusa da minha rua tinha nome de santa, Clara. Estudávamos juntos, brincávamos juntos e juntos também sonhávamos, mas o tempo que possibilita a realização de sonhos é o mesmo que separa pessoas, fazendo-as dobrar outras esquinas e desaparecerem vida a fora...

“Somos do tamanho da nossa capacidade de lutar”

“O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas” Há exatos três anos publiquei o texto abaixo em homenagem aos trabalhadores do Brasil inteiro. Voltei a ele hoje, pois duas das personagens citadas estão em situações diferentes. Broa já não mais lava carros no Edicar. Está com 20 anos, tem uma filha de seis meses e conseguiu um emprego muito melhor, no qual ganha pelo menos cinco vezes mais. Jomar deixou o Posto BR, pois conseguiu comprar um táxi. Ambos avançaram por seus esforços e determinação. A continuar assim irão muito mais longe, pois não há crise suficiente para derrubar aquele que sabe aonde quer chegar e insiste na caminhada, mesmo que a estrada seja de pedra. Afinal, como disse o teólogo inglês William George Ward há mais de 150 anos, “o pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.”

 

Uma reflexão de ano novo

"...Porém, tudo muda: com o último alento podes de novo começar”, Berthold Brecht “Tudo muda. De novo começar podes, com o último alento. O que acontece, porém, fica acontecido: e a água que pões no vinho, não podes mais separar. Porém, tudo muda: com o último alento podes de novo começar.”

As palavras do dramaturgo, poeta e encenador alemão Eugen Berthold Friedrich Brecht nos diz diretamente que sempre há tempo para recomeçar. É fato que quando misturamos água ao vinho estragamos os dois, pois ambos ficam inservíveis. Pois é essa fusão infame que temos feito durante anos e anos, misturando água com tudo e fumaça tóxica com o ar. Separar não dá mais, mas podemos, como o último alento, deixar de fazê-la, para que possamos ter água e ar consumíveis.

Das deusas de nossas ruas

(Uma reflexão de domingo)

Toda rua tem uma deusa. Pode não ser a mais bonita do bairro, mas com certeza, daquele nosso universo particular - a rua onde crescemos em meio aos sonhos e uma realidade de brincadeiras -, é a mais bela. A deusa da minha rua tinha nome de santa, Clara. Estudávamos juntos, brincávamos juntos e juntos também sonhávamos, mas o tempo que possibilita a realização de sonhos é o mesmo que separa pessoas, fazendo-as dobrar outras esquinas e desaparecerem vida a fora...

Uma reflexão de domingo

“Ouvindo, ao longe, o teu magoado som, água corrente! eu me enterneço e tenho uma imensa vontade de ser bom...” Acordei tarde hoje. A matéria que entrou às 8h desse domingo e obteve 713 acessos diretos até agora, foi programada antes de eu ir para a cama, exausto por conta de um sábado inteiro de trabalho e de algumas horas de lazer à noite. O engraçado é que acordei com o soneto “Água corrente”, de Olegário Mariano, ecoando em minha alma. Não sei a razão disso, mas a última parte dessa obra, as linhas que abrem esse despretensioso texto, continua martelando aqui na minha cabeça e por isso quero compartilhar com vocês, convidando-os a uma reflexão, o poema escrito em 1917.

 

Aos trabalhadores… com muito carinho

Broa tem 17 anos e batalha por seus sonhos desde os 12. Desconheço a razão do apelido, mas sei que Jhonatan de Souza olha para frente como quem sabe o que quer da vida... Dá duro o dia inteiro lá no Edcar - é o meu lavador preferido - e à noite vai para a escola pública buscar o futuro nos livros e nos ensinamentos dos professores do nível médio. Jomar tem 39 anos e há 15 me abastece o carro. Seu filho, de 19, com ele trabalha no mesmo Posto BR, e à noite vai à faculdade por dias melhores. Germano já passou dos 70. Está aposentado e a Previdência Social lhe paga R$ 900 por mês. É na entrega de jornais em domicílios que ele completa a renda familiar. O reforço na receita é necessário para pagar os estudos da neta Thamara, seu xodó.

Esses três exemplos de trabalhadores fazem parte do meu cotidiano. Converso muito com eles e sempre aprendo alguma coisa. Um está no começo da vida laborativa, outro no meio, e o terceiro - depois de mais de 50 anos de trabalho - era para estar descansando há muito tempo. Germano é o retrato do trabalhador brasileiro: labora anos a fio e depois de aposentado ainda tem de dar o seu jeito. Salve eles, salve nós todos...