Inclusão de vice-prefeito em processo de impeachment reforça percepção de tentativa golpe em Japeri, entendem por lá

● Elizeu Pires

Se afastados, Fernanda e Januário deixam o caminho livre para os grupo de oposição assumir o governo – Foto: Arquivo

O cargo de vice-prefeito é de expectativa. O eleito nessa posição não tem poder de mando, não assina nada, o que só aconteceria em caso de substituição do titular ou de ele vir assumir alguma secretaria.

No município de Japeri, na Baixada Fluminense, a coisa não é diferente, mas, ao que parece, os vereadores de lá desconhecem isso, tanto que resolveram incluir o vice-prefeito Carlos Januário no processo de impeachment contra a prefeita Fernanda Ontiveros.

Contra o vice pesa a denúncia de suposta campanha antecipada em evento da Prefeitura, a favor de uma pré-candidata a deputada estadual, o que, se comprovado, é punido com multa da Justiça Eleitoral, e não por ato de uma Câmara Municipal, que estaria, dizem por lá, forçando a barra para deixar o caminho livre.

As acusações contra a prefeita são questionáveis e isso deverá ser feito em esfera judicial pela defesa dela. Já a inclusão do vice que não tem qualquer atuação executiva no município, está sendo vista como esforço dos vereadores oposicionistas para tomarem o governo, já que se conseguirem afastar Fernanda quem teria de assumir a Prefeitura é Carlos Januário. Porém, se esse vir a ser afastado também, o poder cai nas mãos do presidente da Câmara, Rogério Gomes Castro, mais conhecido como Rogerinho da RR.

Mudança na Lei Orgânica – Não é novidade para ninguém nos meios políticos locais que desde que a prefeita tomou posse para o segundo mandato, que um grupo vem fechando o cerco sobre o governo, para, segundo observadores mais atentos, tomar o controle das duas secretarias mais importantes da administração municipal, as de Saúde e Educação.

Agora foi formado um processo de impeachment contra ela e o vice, que até já foram notificados por edital, com vistas à cassação dos mandatos dos dois, abrindo vaga um membro do grupo oposicionista substitua Fernanda.

E achando que teriam maior segurança jurídica para tocarem o governo, tomaram uma providência para lhes garantir o direito de escolher, em votação indireta, o sucessor que quiserem.

Confirmado o afastamento da prefeita, Rogerinho senta na cadeira e convoca uma eleição indireta, na qual, apostam por lá, ele mesmo sairia vencedor.

*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria