E quem nos protege da Universal, prefeito?

Elizeu Pires

Em entrevista veiculada pela Folha de São Paulo o prefeito do Rio reclamou de que há preconceito em relação ao fato de ele ser um bispo evangélico. Marcelo Crivella protesta dizendo que tudo o que ele faz para proteger a família ganha um viés ideológico, que a imprensa o confunde o prefeito com o bispo e noticia que é um ato de censura.

Em respeito a dor da família Silva

"As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos." Lembrei-me hoje do que William Shakespeare disse há 420 anos e certamente, por estas linhas, serei crucificado pelos mesquinhos que, no extremo da ignorância, alegraram-se com a morte de uma criança, vítima duas vezes: primeiro da meningite que ceifou sua vida, depois, da insensibilidade que toma conta de extremistas, gente esquisita sem dó nem piedade. O corpo de Arthur, neto do ex-presidente Lula, foi cremado neste sábado em São Bernardo do Campo e, enquanto o avô, pais, tios e amigos o velavam, idiotas se manifestavam nas redes sociais, alegrando-se com a dor família. Pensei que as manifestações de ódio acabariam com a posse do presidente Jair Bolsonaro. Mas não. Prolonga-se com o esforço de uma militância de imbecis, estende-se Brasil a fora com a marcha de um exército de psicopatas...

Lula foi julgado, condenado e está cumprindo a sentença em Curitiba. De lá, creio, não sairá tão cedo, mas o que uma coisa tem a ver com a outra? O pequeno Arthur nem tinha nascido quando o avô era presidente da República, mas ai vem um bando de babacas festejar sua morte com comentários na grande rede, manifestando-se com ironia e sarcasmo. Teve até quem dissesse que a morte do menino é um castigo de Deus sobre as costas de Lula.

Senhores, a Bíblia não é a Constituição

Somando 108 deputados e dez senadores, a Bancada da Bíblia ou dos evangélicos – como preferirem – está se achando. Quer impor uma pauta de costumes, quando a prioridade deveria ser o país e questões que vão muito além dos templos que não pagam impostos, não rendem um centavo sequer aos cofres públicos. Mais uma vez o assunto é a transferência da Embaixada do Brasil de Tel-Aviv para Jerusalém, como se isso tivesse uma enorme importância para a nação. O bloco do "nós acima de tudo e de todos" parece ver nessa mudança a solução para todos os problemas nacionais. Ignora, por exemplo, que se levada a efeito, a transferência pode causar um baque e tanto na economia brasileira...

Depois de pregar no deserto, defendendo tratamento especial para o ex-senador Magno Malta, o deputado Sóstenes Cavalcante, líder do bloco, agora ataca o vice-presidente Hamilton Mourão porque este, ao contrário do titular, olha o tempo todo para frente, já desceu do palanque e defende interesses nacionais, não bandeira de grupos.

Aos mageenses, com carinho e respeito

Minha relação com Magé não tem nada de pessoal. É profissional, e exercida sempre que se precisa dela. Vocês se lembram dos tempos de chumbo, quando se temia tocar no poder local? Pois é. Quem foi que saiu de sua zona de conforto e deu as caras para tomar as dores, lutar numa batalha que não era sua, já que os corajosos locais preferiam a segurança do silêncio, para não dizer a da omissão conveniente? Da metade de 2011 para cá está muito fácil mostrar-se forte e corajoso. Particularmente, eu, Elizeu Pires, a quem vocês recebem todos os dias com carinho e respeito via elizeupires.com, gostaria muito de ter contado com a ajuda dos destemidos de hoje, mas, infelizmente, tive de ir à guerra sozinho. Nada a lamentar. Só fico triste quando leem uma coisa, entendem outra e saem espalhando da forma equivocada resultante de uma limitada interpretação...

Não faz muito tempo um corajoso da era moderna leu um texto de minha autoria, o interpretou a seu modo e me comparou com alguém que, por mera pretensão política, divulgava números e ataques contra o adversário da vez. Aqui não. O que se lê são informações sobre fatos e não achismos na base do ouvir dizer ou do andam dizendo por ai... Pegou-se o conteúdo correto produzido por alguém com 35 anos de carreira e o comparou a gritos aventureiros, saídos de uma garganta da qual se pode ecoar tudo, menos credibilidade.

Do comunismo ao patrulhamento de ocasião

Por Elizeu Pires

A palavra comunista vem do latim, comunis, comum, mas o homem se encarregou de deturpar isto, dando-a como nome a uma doutrina política, cujos adeptos pregam que todas as pessoas têm direitos iguais sobre tudo, ignorando a propriedade privada, com o estado tutelando tudo em favor de todos. Só que, na prática, não é bem assim. Nos países onde tal doutrina ainda impera uns são mais "iguais" que os outros quando se trata de dividir o ouro, com os líderes do sistema tendo direito a tudo e o povo a nada. Vide Cuba, por exemplo. Por lá os Castros desfilam de Mercedes e o povo em sucatas, isto os poucos que conseguiram manter sobre quatro rodas o que sobrou dos anos 50...

A hora do compromisso (Editorial da Folha de São Paulo)

Quem participa da eleição presidencial adere tacitamente a um contrato com a nação. Obriga-se a aceitar o resultado soberano das urnas em caso de derrota e, na outra hipótese, a respeitar a Constituição e os direitos fundamentais ao conduzir o governo. Em meio à crispação do ambiente de campanha e ao estrago desencadeado pela recessão na economia, o aceno a ideias autoritárias requer das duas candidaturas ora mais competitivas algo além da aceitação presumida das regras do jogo, no entanto. Chegou a hora de expressarem compromissos definitivos com a democracia.

Jair Bolsonaro, do PSL, tem lançado suspeição infundada sobre o sistema eletrônico de votação. Estimula paranoias de manipulação, mas apenas para o caso de não ser ele o vencedor do certame.