Aos mageenses, com carinho e respeito

Minha relação com Magé não tem nada de pessoal. É profissional, e exercida sempre que se precisa dela. Vocês se lembram dos tempos de chumbo, quando se temia tocar no poder local? Pois é. Quem saiu de sua zona de conforto e deu as caras para tomar as dores, lutar numa batalha que não era sua, já que os corajosos locais preferiam a segurança do silêncio, para não dizer a da omissão conveniente?

Da metade de 2011 para cá está muito fácil mostrar-se forte e corajoso. Particularmente, eu, Elizeu Pires, a quem vocês recebem todos os dias com carinho e respeito via elizeupires.com, gostaria muito de ter contado com a ajuda dos destemidos de hoje, mas, infelizmente, tive de ir à guerra sozinho. Nada a lamentar. Só fico triste quando leem uma coisa, entendem outra e saem espalhando da forma equivocada resultante de uma limitada interpretação...

Do comunismo ao patrulhamento de ocasião

Por Elizeu Pires

A palavra comunista vem do latim, comunis, comum, mas o homem se encarregou de deturpar isto, dando-a como nome a uma doutrina política, cujos adeptos pregam que todas as pessoas têm direitos iguais sobre tudo, ignorando a propriedade privada, com o estado tutelando tudo em favor de todos. Só que, na prática, não é bem assim. Nos países onde tal doutrina ainda impera uns são mais "iguais" que os outros quando se trata de dividir o ouro, com os líderes do sistema tendo direito a tudo e o povo a nada. Vide Cuba, por exemplo. Por lá os Castros desfilam de Mercedes e o povo em sucatas, isto os poucos que conseguiram manter sobre quatro rodas o que sobrou dos anos 50...

A hora do compromisso (Editorial da Folha de São Paulo)

Quem participa da eleição presidencial adere tacitamente a um contrato com a nação. Obriga-se a aceitar o resultado soberano das urnas em caso de derrota e, na outra hipótese, a respeitar a Constituição e os direitos fundamentais ao conduzir o governo. Em meio à crispação do ambiente de campanha e ao estrago desencadeado pela recessão na economia, o aceno a ideias autoritárias requer das duas candidaturas ora mais competitivas algo além da aceitação presumida das regras do jogo, no entanto. Chegou a hora de expressarem compromissos definitivos com a democracia.

Jair Bolsonaro, do PSL, tem lançado suspeição infundada sobre o sistema eletrônico de votação. Estimula paranoias de manipulação, mas apenas para o caso de não ser ele o vencedor do certame.

Os extremistas e o medo das urnas

Preocupa a todo cidadão de bom senso a declaração do candidato do PSL de que é concreta a possibilidade de uma fraude eleitoral em favor do candidato do PT. É de uma gravidade tamanha. Não porque a votação eletrônica possa ser manipulada, mas por sugerir que Jair Bolsonaro e seus iguais não irão aceitar resultado que não seja a vitória. Quando alguém que se propõe a governar o país faz tal ameaça, ainda que velada, nos leva pensar que Bolsonaro, Mourão e Cia. querem é ganhar no grito. Isso é muito sério. É seríssimo. Quem pensa assim está é pregando o poder absoluto, a marcha dos coturnos sobre as cabeças dos defensores da liberdade e revelando o medo terrível que a democracia lhe causa.

Sei que a militância cega vai cair de pau e me chamar de comunista - como assim classifica a todos os que conseguem pensar livremente -, mas não posso deixar de emitir minha opinião. Vi nessa declaração um ato de desespero, reação de quem teme que, no segundo turno, como assim mostram as pesquisas de intenção de votos, o bicho papão lhe engula.

Leia mais, um click contra as ‘fakes news’

De acordo com o Relatório sobre Notícias Digitais do Instituto Reuters – uma das mais importantes pesquisas do mundo sobre o tema – o Brasil é o pais mais preocupado com as noticias falsas, as 'fakes news' que criam um transtorno danado e destroem reputações. Mas e daí? Se analisarmos sem entrar no mérito da questão nos daremos por satisfeitos em saber que 85% dos brasileiros entrevistados demonstram preocupação, mas preocupar-se somente resolve a questão? Claro que não. As notícias inverídicas só têm a proporção que tem no Brasil por causa da preguiça de ler. Em vez de lerem todo o texto muitos param no título, tiram suas conclusões e comentam com o cotovelo. Não leram o "quando, onde, como e por que", mas já formaram opinião. 

Os que assim procedem são presas fáceis para os propagadores de mentiras como aquela que diz que a vereadora Marielle Franco teria sido casada com um traficante, o que mais que uma tentativa de desqualificar a voz que as minorias tinham na Câmara do Rio, foi um ataque a honra, uma mentira gratuita e fatal.

Por que temem tanto este homem?

"Vou entrar de cabeça erguida e sair de peito estufado" (Luiz Inácio Lula da Silva)

Quando, no dia 4 de março de 2016, o juiz Sergio Moro determinou, ao arrepio da lei, a condução coercitiva do ex-presidente Lula, eu dizia a um grupo de amigos com os quais almoçava em Macaé, que o Judiciário estava fabricando um herói. Não deu outra. Iniciou-se a comoção que torna o ex-metalúrgico imbatível nas urnas. Agora Moro voltou a dar um empurrão a favor de Lula, quando, com pressa em prendê-lo, pisou mais uma vez no devido processo legal, pois a ação ainda não transitou em julgado nem na segunda instância. Ao expedir o mandado de prisão numa ação na qual o ex-presidente foi condenado sem provas, na base da convicção do magistrado e do achismo conveniente dos "meninos de ouro" do MPF, o Judiciário externa que os que querem dominar o paí no grito estão é morrendo de medo de um operário que conquistou o mundo.