Vereadores de Japeri já não reclamam mais da OS que administra as unidades de saúde nem sobre as condições das escolas da rede municipal
● Elizeu Pires
Alvo de críticas e denúncias de supostas irregularidades por parte de um grupo de vereadores de Japeri, que, inclusive, costumava aparecer fora de hora nas unidades de atendimento médico, para, supostamente fiscalizar o trabalho dos profissionais de saúde, a Organização Social Centro de Medicina e Projetos Especiais (Cempes), que administra a rede, curiosamente deixou de ser alvo dos “atos de fiscalização” e dos pronunciamentos em plenário e via redes sociais.

Pelo silêncio que agora fazem, depois que a Secretaria Municipal de Saúde passou a ser comandada por um secretário indicado dos parlamentares que participaram cassação da prefeita Fernanda Ontiveros e empossaram no lugar dela o vice-prefeito Carlos Januário, o Poder Legislativo de Japeri agora não teria mais motivo para fazer barulho.
Tudo em nome da “governabilidade”
O novo prefeito até tem sido alvo de descontentamento por parte de alguns e de manifestações veladas, o que se daria mais por conta de uma disputa por cargos na Prefeitura do que outra coisa.
Os vídeos quase diários feitos por alguns parlamentares para fazer denúncias em relação ao atendimento na rede de saúde e supostas irregularidades envolvendo a execução do contrato do Cempes (que hoje está em R$ 94,6 milhões) foram substituídos por um silêncio sepulcral, e isto não aconteceria porque o município passou a ter uma saúde melhor ou porque a instituição que gere a rede – que era apontada como incompetente pelos agora silenciosos vereadores – tenha tenha conseguido, em tão pouco tempo se superar, mas pelo tal de “acordo de governança”, com parlamentares fazendo indicações para cargos em vários escalões.
Além de não fazerem mais questionamentos sobre o funcionamento das unidades de saúde, os “nobres representantes do povo”, antes tão estridentes, também já não dizem mais nada sobre a rede municipal de ensino.
É como se a merenda escolar fosse hoje bem melhor, se os aparelhos de ar-condicionado que eles tanto cobraram tivessem sido instalados em todas as escolas, postos médicos e estivessem sob uma manutenção impecável.
Para os observadores mais atentos, a oposição barulhenta teria mais a ver com a prefeita afastada que com o governo propriamente dito, pois o atendimento nas unidades da Prefeitura continuaria do mesmo jeito.
*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria
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