Aos trabalhadores… com muito carinho

Broa tem 17 anos e batalha por seus sonhos desde os 12. Desconheço a razão do apelido, mas sei que Jhonatan de Souza olha para frente como quem sabe o que quer da vida… Dá duro o dia inteiro lá no Edcar – é o meu lavador preferido – e à noite vai para a escola pública buscar o futuro nos livros e nos ensinamentos dos professores do nível médio. Jomar tem 39 anos e há 15 me abastece o carro. Seu filho de 19 com ele trabalha no mesmo Posto BR e à noite vai à faculdade por dias melhores. Germano já passou dos 70. Está aposentado e a Previdência Social lhe paga R$ 900 por mês. É na entrega de jornais em domicílios que ele completa a renda familiar. O reforço na receita é necessário para pagar os estudos da neta Thamara, seu xodó.

Esses três exemplos de trabalhadores fazem parte do meu cotidiano. Converso muito com eles e sempre aprendo alguma coisa. Um está no começo da vida laborativa, outro no meio e o terceiro – depois de mais de 50 anos de trabalho – era para estar descansando há muito tempo. Germano é o retrato do trabalhador brasileiro: labora anos a fio e depois de aposentado ainda tem de dar o seu jeito. Salve eles, salve nós todos…

Hoje é 1º de maio, o Dia do Trabalho. A data passou a ser comemorada em homenagem aos operários que, em 1886, organizaram uma greve na cidade de Chicago (EUA), para reivindicar a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. O movimento se repetiu no dia 4 de maio daquele ano e foi batizado de Revolta de Haymarket. Nessa manifestação morreram trabalhadores e policiais, mas a vitória foi dos operários: no ano de 1889 o Congresso Internacional Socialista, em Paris, decidiu pela organização anual, em todo 1º de maio, de manifestações operárias pelo mundo, na defesa da jornada máxima de 8 horas diáriias.

No Brasil os trabalhadores começaram a se organizar após a chegada de imigrantes europeus. Eles vieram com suas ideias de organização e leis em favor dos trabalhadores. Deu certo e em 1917 aconteceu uma greve que parou a indústria e o comércio em todo o país. Sete anos depois, em 1924, o presidente Artur Bernardes decretou o dia 1º de maio como feriado nacional.

Os mais atentos vão dizer que eu, por certo, esqueci de quem cuida de mim e de minha casa, uma trabalhadora cuja dedicação não pode ser remunerada por dinheiro algum. Bem, não me esqueci e jamais me esqueceria da Vilma, pois essa é um misto de tudo: amiga, irmã, secretária e, inclusive, mãe. É em nome dela, do Broa, Jomar e do Germano que desejo a todos um feliz Dia do Trabalho. E, como operário que sou, não abro mão de descansar hoje, mas prometo voltar amanhã, às oito em ponto, se o Grande Pai assim me permitir.

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