Delação de Lavouras tira o sono de muita gente

De vereador a deputado: Grande é o medo de ser atingido pela “caguetação” do empresário que ainda tem a maior frota de ônibus do estado do Rio de Janeiro

Elizeu Pires

José Carlos Reis Lavouras vive em Portugal desde que teve prisão decretada pelo juiz Marcelo Bretas

Na última quinta-feira (13) o empresário e ex-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), José Carlos Reis Lavouras prestou depoimento ao juiz da 7ª Vara Criminal Federal. Na audiência presidida por Marcelo Bretas, José Carlos falou por vídeo conferência no processo contra outro grande empresário do setor, Jacob Barata Filho, mas não é isso que estaria causando tremores em muita gente que ocupa espaço em esferas do poder no estado.

Enquanto o empresário aproveita a vida luxuosa em Portugal – para onde meteu o pé para não ser preso pela Lava Jato -, tem gente comprando tranquilizante a granel por conta da colaboração premiada feita por ele via teleconferência e homologada em janeiro pelo ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Do pouco que se sabe da delação até agora, José Carlos teria citado seis desembargadores e pelo menos um membro do Ministério Público Estadual, além de políticos do alto escalão. Mas sãos os chamados “peixes pequenos” os que mais temeriam, embora não se tenha conhecimento de que os chamados “bagrinhos da política” tenham sido mencionados pelo empresário.

O medo é de que as conversas durante os almoços na sede do Grupo JAL, nas dependências da empresa Flores, em Vilar dos Teles, no município de São João de Meriti, possam ter sido lembradas na “caguetação” de Lavouras, que não discriminava ninguém. “Ele recebia todo mundo. Quanto estava pela Baixada podia ser encontrado às quartas ou às sextas-feiras”, diz um ex-vereador da região.

Bomba no Judiciário – José Carlos Reis Lavouras revelou, por exemplo, que cerca de R$ 5 milhões eram distribuídos mensalmente para autoridades fluminenses entre 1989 e 2017. Segundo ele, o dinheiro, que saia das sobras do vale-transporte, era usado para tirar do caminho qualquer empecilho aos interesses das empresas de ônibus, reforçando o que outro delator, o ex-diretor da Fetranspror Lelis Teixeira, já havia dito, mas o ponto nevrálgico da delação de Lavouras é o que cita membros Poder Judiciário.

No mês passado o advogado Ary Bergher entrou com uma notícia-crime na Procuradoria Geral da República em nome do desembargador José Carlos Maldonado de Carvalho, para que a PGR apure o vazamento de trechos da delação de Lavouras que cita membros do Poder Judiciário. A providencia foi tomada após parte da delação ter sido publicada com exclusividade pelo jornalista Cláudio Magnavita, no Correio da Manhã, no dia 13 de abril. De acordo com o que foi revelado pelo jornalista, Lavouras citou que Maldonado teria recebido R$ 100 mil para decidir em favor da Fetranspor.

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