De réu a testemunha importante

Em fevereiro de 2007 o ex-vereador Batata chegou a ser preso sob a acusação de ter encomendado a morte do vereador Dejair Corrêa (Foto: Extra/Fábio Guimarães, 13/02/2007)

Ex-vereador Batata pode ajudar esclarecer crimes em Magé

Acusado de ter encomendado pelo menos quatro assassinatos no município de Magé e aguardando para ser levado a júri popular no Fórum de Niterói, para onde um de seus processos foi transferido, o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal Genivaldo Ferreira Nogueira, o Batata, está sendo tratado pela Justiça como testemunha importante na ação criminal que apura fraude em licitação, corrupção ativa, coação, peculato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, em caso denunciado por ele e Yacemir de Oliveira Fernandes, o Branco. Yacemir, conforme já noticiado, foi morto no dia 29 de dezembro de 2010, um mês após ter comparecido ao Ministério Público e revelado que um processo licitatório no valor de R$ 22 milhões vencido pela empresa FM Terra em 2009 teria sido montado de modo a favorecer a ganhadora do certame. Agora, com o atentado sofrido na manhã de hoje, o ex-vereador deverá ficar sob proteção policial, podendo ajudar a esclarecer, inclusive, a execução de Branco.

O processo em questão resultou na Operação Terra Prometida feita pelo Ministério Público no dia 22 de janeiro deste ano para cumprir mandatos de prisão e de busca e apreensão, mas três dos principais réus na ação – o ex-prefeito Anderson Cozzolino, o Dinho, sua Irma Jane Cozzolino e o empresário Fábio de Figueiredo Morais – conseguiram fugir e só apareceram na cidade depois que a Justiça relaxou suas prisões.

O caso voltou a repercutir na última sexta-feira, quando, atendendo pedido do Ministério Público, o juiz Felipe Carvalho Gonçalves da Silva decretou as prisões de Dinho, Fabio e do advogado Fernando Abrahão, o Marabá, que atuou como procurador da Câmara no período em quer Anderson Cozzolino presidiu o Poder Legislativo. Os três foram acusados de, sob mira de arma de fogo, ameaçar o ex-vereador Batata para que ele mudasse o teor de depoimento prestado no dia 31 de maio no processo que resultou na Operação Terra Prometida.

Como ocorreu nesse último pedido de prisão deferido pela Justiça, no caso anterior a promotoria também usou o argumento da ameaça. No despacho que sustentou a ação policial do dia 22 de janeiro, o Ministério Público pontuou que dois funcionários encarregados de atestarem as notas e as medições para que a FM Terra recebesse as faturas pela locação de máquinas e caminhões da Prefeitura teriam sido ameaçados por Dinho, Fabio e pelo ex-secretário de Obras Jefferson de Oliveira.

Genivaldo disputou a última eleição em 2011, no pleito suplementar vencido por Nestor Vidal. Desde então ele se afastou na vida pública, tornou-se evangélico e passou a viver da construção de casas e de uma loja de autopeças.

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