Cooperativa não vai mais atuar em Mesquita

Coopsege recebeu mais de 200 milhões e mesmo assim saiu devendo aos trabalhadores 

Amparada por uma decisão sui generis do Supremo Tribunal Federal, a Cooperativa de Profissionais de Serviços Gerais (Coopsege) atuou livremente em Mesquita nos últimos quatros e faturou mais de R$ 200 milhões dos cofres da municipalidade, fornecendo funcionários terceirizados que custavam ao município muito mais do que efetivamente recebiam no fim do mês, por conta de uma taxa de administração de 40% do valor do contrato. Só em 2016 a instituição recebeu mais de R$ 70 milhões, mas seus contratados reclamam da falta de salário e do não pagamento de direitos trabalhistas. A Coopsege, afirma o prefeito Jorge Miranda (foto), não vai mais ter contrato com o município.

Em maio do ano passado a juíza Alessandra Tufvesson Peixoto (da Vara Cível de Mesquita) determinou a suspensão do contrato entre a Prefeitura de Mesquita e a cooperativa, por suspeita da existência de “fantasmas” entre as 3.253 pessoas contratadas. As suspeitas aumentaram depois que o Poder Judiciário pediu uma lista com todos os nomes e CPFs dos contratados e recebeu um documento com 85 CPFs duplicados e 535 nomes sem o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas da Receita Federal. Entretanto, apesar das irregularidades encontradas, uma decisão superior liberou o contrato e a Coopsege continuou faturando alto no município.

Além da suspeita de “fantasmas”, denúncias apontaram o uso da cooperativa para fins eleitorais, com a contratação de pessoas para atuar na campanha da deputada estadual Daniele Cristina Figueiredo Fontoura, mulher do ex-prefeito Rogelson Sanches Fontoura, o Gelsinho Guerreiro. Coincidência ou não, o fato é que em 2014 os gastos com pessoal terceirizado aumentaram em 75%.

Entre janeiro e dezembro de 2013, o primeiro ano da gestão de Guerreiro, a Prefeitura de Mesquita gastou R$ 50 milhões com a contratação de funcionários através de quatro cooperativas, pagando R$ 7.186.965,91 a Captar Cooper, R$ 20.165.712,34 a Coopesege, R$ 14.115.306,88 a Multiprof e destinando R$ 8.654.136,97 para Renacoop Renascer. Já em 2014, embora o município passasse a contratar pessoal só de duas cooperativas, os gastos subiram para R$ 88.399.065,51, R$ 38.276.943,61 a mais. Naquele ano a Coopsege teve a seu favor um empenho de R$ 73.950.465,50 e recebeu R$ 66.871.930,06 desse total, enquanto a Renaccop Renascer faturou R$ 21.527.135,45 de um empenho global de R$ 26.250.946,32. O empenho total para as duas instituições chegou a R$ 100.201.411,82 em 2014.

 

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Comentários:

  1. [quote name=”Leda”]Vejo que o prefeito Jorge Miranda está focado em arrumar a casa. Contamos com isto.[/quote]
    Tomara mesmo que o prefeito de mesquita arrume a casa, pois essas manobras de terceirização já se tornou costume e é adotada por certos administradores, inclusive secretários. E pra quem não percebeu, aquele ali atrás do prefeito na foto é o famoso Rui de Aguiar, que inclusive adotou da mesma forma a terceirização no município de Guapimirim, que levou ao caos que hoje vivemos aqui. Abram o olho, povo de Mesquita.

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