Dinheiro dos servidores de Belford Roxo foi parar no ralo

Relatório diz que cerca de R$ 70 milhões foram aplicados em investimentos de elevado risco

Citado pelos servidores como o melhor prefeito – para a categoria – que o município já teve, o médico Alcides Rolim errou feio na hora de autorizar a aplicação dos recursos do fundo de previdência municipal, o Previde. Pelo menos é o que aponta um relatório analítico, resultado de uma auditoria concluída em abril de 2016 pela empresa Mais Valia Consultoria de Investimentos. O documento diz que os negócios foram feitos com fundos de “elevado risco”, com “ausência de transparência, solvência, liquidez e análise prévia”. Ao todo o Previde fez 18 aplicações nada garantidas, oito delas com a BNY Mellon Serviços Financeiros, instituição processada pelos prejuízos de R$ 8,2 bilhões causados ao Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos (Postalis). O total aplicado somou R$ 69.277.268,41, com perdas estimadas em R$ 40 milhões que, com os valores corrigidos, pode chegar a R$ 100 milhões.

No dia 26 de fevereiro de 2010, por exemplo, na gestão do prefeito Alcides Rolim (PT), o Previde aplicou – através da BNY – R$ 2,5 milhões em ativos do Coral FIDC Multisetorial e em 2016 tinha apenas R$ 379.305,10 a resgatar, sofrendo um prejuízo de R$ 2.120.694,90. Em 25 de novembro do mesmo ano, também pela BNY, foram investidos R$ 3 milhões no Fundo de Investimento em Participações de Turismo Brasil, ativos que em 2016 valiam ó R$ 2.108.911,92, uma perda de mais de R$ 800 mil.

Ainda segundo o relatório, investimentos de risco também foram feitos no último ano da gestão da prefeita Maria Lucia Santos. No dia 15 de dezembro de 2008 o Previde, operando através da BNY, aplicou R$ 2 milhões em ativos do FI Security Referenciado e desse investimento sobrou, em 2016, R$ 483.810,95. O prejuízo nessa operação passou de R$ 1,5 milhão.

Assinado pelo economista Ronaldo Borges da Fonseca, o relatório da auditoria também que o Previde investiu em ativos do FIDC Multisetorial Master II, constituído pelo Banco BVA que sofreu intervenção do Banco Central em outubro de 2012 por prática de irregularidades. Este fundo, diz o documento, foi fechado para resgates e teve seus gestores originais foram substituídos, não havendo previsões para recuperação final dos recursos investidos.

As operações com títulos pobres não ocorreram só com em Belford Roxo. A Polícia Federal investiga também operações financeiras feitas com recursos dos fundos de pensão dos servidores de Angra dos Reis, Campos e Japeri, municípios onde também ocorreram operação de busca e apreensão nas sedes dos institutos de previdência na última quinta-feira.

 

Documento relacionado:

Relatório da auditoria

Comentários:

  1. Por isso vejo tds os dias o grande número de pedidos de exonerações de médicos, professores e etc desta cidade sitiada de criminosos. Sempre acusados de reclamarem de tudo, os nossos funcionários públicos são maltratados por anos por esses dirigentes nefastos. Atualmente vários direitos foram suprimidos e atrasos e descontos salariais inexplicados acontecem. Quem sofre é a população.
    Cadeia geral..

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