Desempinem o nariz

Aos que pensam que a Baixada é um fundo de quintal do Rio

● Elizeu Pires

Dizem os mais antigos que em terreno desconhecido é preciso pisar devagarinho. Também, no popular, fala-se que se conselho fosse bom seria vendido, não ofertado gratuitamente.

Pode até ser, mas seria bom que o pré-candidato do PSD ao governo do Rio, Eduardo Paes, se atentasse para a primeira dica quando for falar em Baixada Fluminense, uma região muitas das vezes olhada com menosprezo pelos membros de uma confraria formada por jovens da Zona Sul, que agora descobriram que precisam – e muito – dos quase três milhões de votos de uma região que tem mais eleitores que 11 estados e o Distrito Federal.

Tal conselho precisa ser dado, porque os confrades de Paes que tem aparecido na Baixada vêm pisando forte demais. Até o deputado Daniel Sorans – que pode vir a comandar a Saúde estadual se Eduardo for eleito –, já descobriu a região; e lá pelas bandas de São João de Meriti circula montado na prepotência uma espécie de miniatura de Pedro Paulo, deputado feito por Paes, e coringa do agora ex-prefeito.

O garoto que mal saiu das fraldas desfila arrogância como a maioria dos narizes-empinados que cercam o homem que pensou que podia implantar uma linha pirata de ônibus, passando por cima do governo estadual e do complacente prefeito de Mesquita e ficar por isso mesmo, e que deve pensar que por ter ao seu lado um ex-prefeito inelegível e com contas a acertar com a Justiça, vai dominar a região.

O que é preciso é que Paes e os seus entendam é que a Baixada não é o quintal da cidade que ele governou por quase 14 anos; que é uma região habitada, em sua maior extensão, por pessoas pobres, é verdade, mas decentes e trabalhadoras; uma gente sempre vista de forma enviesada quando vai curtir um domingo de sol nas praias da Zona Sul, mas que sabe muito bem o quer e percebe quando só estão tentando usá-la para garantir um projeto de poder.