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31/12/2013 - 09:00

Depende de nós…

Apagam-se as luzes de 2013, mas não as lembranças e delas temos de tirar uma lição… A violência foi igual ou ainda maior que a verificada em anos anteriores e isso não é problema apenas das autoridades de segurança. A situação de guerra constante nos indigna a todos e as ações criminosas que se alastram acuam a população. Os traficantes se acham donos das cidades e resolveram enfrentar o estado que decidiu – com bastante atraso – partir para o confronto, buscando retomar os espaços perdidos com as UPPs, mas isso ainda não disse nada, pois ninguém é preso e como bandido não se aposenta, as quadrilhas resolveram migrar. Sabem por quê? A sociedade em que vivemos é um amplo mercado para elas e onde houver povo esse mercado existirá. Diante dessa realidade deveríamos aproveitar o momento para refletir, pois a sociedade também tem sua parcela de culpa. Isso é fato amigos, tão verdade como de a sociedade sermos eu e você, nós todos.

Poxa, em pleno período de festas vem esse cara falar de violência? Talvez alguém indague daí e eu prossigo: um estudo do governo estadual apontou que o consumo anual de maconha no território fluminense é de 90 toneladas, o de cocaína 8,8 toneladas e o de crack chega a 4,3 mil quilos, garantindo às quadrilhas um faturamento total de R$ 633 milhões, contra um custo anual de R$ 158,7 milhões com a compra de drogas e R$ 24,8 milhões com a aquisição de armas. As perdas com apreensões chegam a R$ 19,4 milhões e ainda assim eles conseguem um lucro de R$ 236,6 milhões em doze meses. Números astronômicos, não? Pois é, mas as quadrilhas não faturariam tanto se não existissem os consumidores e onde estão os consumidores? Entre nós todos.

A guerra é travada nas favelas onde os traficantes operam o rendoso negócio. Eles não descem os morros para venderem a mercadoria e nem precisam fazer isso, pois os consumidores vão até a eles. Pois é, essa é a verdade: a sociedade que protesta e reivindica uma reação do Estado, é a mesma que sustenta o tráfico com seu vício.  Então que tal deixarmos de ser hipócritas e olhar ao nosso redor, meter o dedo na ferida e conversarmos em família, entre amigos e conhecidos para exigirmos de nós mesmos uma reação pessoal?

Feliz ano novo. Que 2014 seja um ano de muita paz e realização para todos nós. Tenham uma excelente comemoração em família, fiquem na graça do Grande Pai, que eu volto quinta-feira, às oito em ponto, se Ele assim me permitir.