● Elizeu Pires

A narrativa é de perseguição por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), alegação comum quando alguém da extrema direita é alvo de alguma investigação ou de mandados de busca e apreensão, mas o fato é que a Operação Galho Fraco, realizada dia 19 pela Polícia Federal e que teve como alvo os deputados Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante (ambos do PL-RJ), teria deixado muita gente preocupada.
A suspeita de uso de empresas de fachada para emitir notas que justifiquem os pagamentos feitos com dinheiro da cota parlamentar não é de agora. Há muito se fala sobre o assunto, principalmente quando se trata dos gastos com aluguel de carros, mas a operação desta sexta-feira deixou muita gente preocupada.
O primeiro a se dizer perseguido foi o deputado Carlos Jordy. Depois Sóstenes para dizer que estaria sob marcação implacável. Visto no meio como a voz do pastor Silas Malafaia na Câmara dos Deputados, Sóstene esbravejou como a PF apreendeu R$ 430 mil no flat onde em residente em Brasília.
Apressou-se em dizer que o dinheiro é legal, fruto da venda de um imóvel que havia comprado em Minas Gerais. Sobre o fato de o dinheiro estar guardado em um apartamento, ele disse que, devido à correria dos últimos dias, não teria tido tempo de ir a uma agência bancária, mas esqueceu-se de um detalhe: em 2022, quando candidatou-se à reeleição, Sóstenes declarou ter R$ 4.926,76 em bens.
Avessos às decisões judiciais quando os alvos não são os adversários, os deputados do PL costumam descarregar a raiva sobre o ministro Alexandre de Moraes, mas o alvo da vez é Flávio Dino, ministro que expediu os mandatos cumpridos pela PF.
Além das buscas e apreensão, Dino determinou o afastamento dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de pessoas físicas e jurídicas investigadas pelo suposto desvio de recursos públicos por meio da cota parlamentar.
A decisão se deu no âmbito das investigações de indícios de crimes como peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Há suspeitas de utilização de empresas de fachada para simular contratos de locação de veículos, e de pagamentos realizados sem registros oficiais.
A PF diz que os dois deputados teriam “desviado recursos de cota parlamentar em beneficio próprio mediante os servidores comissionados no exercício das funções”, e a investigações apontam a empresa Harue Locação de Veículos Ltda, que seria de propriedade de um assessor de Jordy.
*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria