Paes, MDB e Lula, uma mistura que tem tudo para dar errado no Rio

Presença da Bolsonarista família Reis na aliança com o PSD pode azedar o cozido, avalia alguns observadores

● Elizeu Pires

Com uma conversa que no PT parece só convencer mesmo o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, Eduardo Paes (PSD) prometeu um palanque 100% Lula no Rio de Janeiro, mas ao mesmo tempo em que afirmou isso, chamou um bolsonarista ferrenho para o seu lado, o presidente do MDB fluminense, Washington Reis, a quem deu, inclusive, o direito de indicar a irmã para compor a chapa como vice. Se isso não é motivo suficiente para duvidar da palavra dada por Paes ao PT, é o que então?

Ontem (27), ao participar de um evento do agro em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o senador Flavio Bolsonaro, pré-candidato à presidente pelo PL, disse ter certeza de que o MDB “está muito mais perto de cá do que de lá”. É claro que ele falou isso em relação ao MDB paulista, até porque não precisava nem citar o do Rio de Janeiro, onde o “dono” da legenda disse que seu candidato a presidente é Flávio, e seu nome para senador é Claudio Castro, tão inelegível quanto Washington.

Em suma: o MDB do Rio está fechado com nomes do PL, embora figure em aliança com PSD que vai lançar Paes, que disse que ama Lula, que precisa de um palanque ajustado no Rio.

Eduardo Paes vem liderando com folga as pesquisas de intenção de votos há muito. Nessa última Quaest, (registro número RJ-00613/2026), por exemplo, ele aparece com os mesmos 40% registrados antes de anunciar a irmã de Reis como pré-candidata a vice. Isso sugere que Paes não precisaria da família Reis para nada, até porque Washington só tem liderança mesmo em Duque de Caxias, pois nos outros municípios da Baixada é rejeitado ao máximo, pois todas as demais lideranças por causa desse jeito “tudo eu, depois eu e outra vez eu” empregado por ele na política.

Para gente com visão mais ampla que a de Quaquá, a única maneira de Lula ter espaço real no palanque de Paes seria o cacique do PSD dar uma escanteada em Reis, o que, apostam alguns, não seria impossível de acontecer.