Mortes em Rio das Ostras: Negligência ou fatalidade?

Família de gestante de 22 anos diz que atendimento no hospital municipal foi tardio

 

Se perguntarem ao prefeito Alcebíades Sabino como está a saúde em Rio das Ostras a resposta, ao certo, será essa: “Vai muito bem, obrigado!” Entretanto, se a mesma indagação for dirigida aos moradores da cidade, o que vai se ouvir é um rotundo “péssima”. Embora o município esteja entre os 10 proporcionalmente mais ricos do país, o setor de saúde vem deixando muito a desejar e as consequências podem ser sentidas da pior forma possível por quem procura o hospital municipal, a morte. Somente este ano foram registrados três casos de suposta negligência, com mortes de bebês e de gestante. A última vítima do que os familiares classificam como “negligência médica”, foi uma jovem de 22 anos, Jéssica de Oliveira, grávida de gêmeos, no sexto mês de gestação, morta na tarde da última quarta-feira.

Segundo familiares de Jéssica, ela já havia sido atendida no mesmo hospital dois dias antes, mas foi liberada pelos médicos. Helena Silva Bezera, sogra da jovem, conta que Jéssica, na segunda-feira (22 de setembro) foi medicada e liberada logo para voltar para casa, mas começou a passar mal pela manhã de quarta-feira (24 de setembro), tendo sido levada de volta ao hospital municipal. “Não fizeram o atendimento rápido. Disseram que não tinha maca para socorrer minha nora. Agora perdemos ela e nossas crianças, porque não vão voltar mais”, afirmou Helena, que foi desmentida pela assessoria de imprensa da Prefeitura que, em nota oficial, afirmou que Jéssica já chegou sem vida ao hospital.

Em janeiro familiares da comerciária Ana Claudia Santos Oliveira, também acusaram médicos do hospital de negligência na morte da filha dela, a recém-nascida Letícia, 40 horas após o nascimento da criança. De acordo com familiares, no dia 11 de janeiro Ana esteve no hospital, foi examinada e orientada a voltar para casa para esperar a bolsa romper. No dia 12, com fortes dores, a gestante foi levada novamente ao hospital. Segundo os familiares o primeiro atendimento aconteceu no dia 11 (um sábado), quando Ana Claudia procurou o hospital com dores. “Voltei ao hospital no domingo, por volta das 9h, com dores e com um sangramento. A médica me atendeu e me mandou de volta para casa. Voltei no mesmo dia, com dores mais fortes. Me colocaram numa sala separada. De madrugada, pedi socorro porque meu corpo estava ficando dormente. Quando a médica voltou para me examinar não escutou mais o coração da minha filha. Nessa hora, correram comigo para o centro cirúrgico”, contou, na época, Ana Claudia, afirmando ainda que sentiu abandonada.

No dia 28 de janeiro mais um bebê morreu na barriga da mãe, no mesmo hospital e médicos da unidade voltaram a ser acusados de negligência. A dona de casa Cleide Cristina de Oliveira contou que desde o dia 2 de janeiro ela buscava atendimento para a filha, Kelly de Oliveira, grávida do primeiro filho, que sentia fortes dores. Segundo ela, os médicos examinavam a gestante e a mandavam de volta para casa. No dia 28 ela retornou com a filha ao hospital, mas a médica que a atendeu teria demorado a interná-la e quando foi ouvir o coração do bebê ele já não batia mais. “Só correram com a minha filha para o centro cirúrgico, quando não ouviram mais os batimentos do bebê. Disse para a médica que estava na hora de minha filha ganhar meu neto, mas ela não me ouviu”, afirmou Cleide  à época, esclarecendo que Kelly estava com 41 semanas de gestação e não apresentou nenhum problema durante o pré-natal.

Sobre esses casos a Prefeitura de Rio das Ostras limita-se a dizer a taxa de natimortalidade do hospital municipal  é de 1%, abaixo do índice 1,9% estabelecido como aceitável pelo Ministério da Saúde, talvez querendo dizer que tudo isso é normal.

Comentários:

  1. Se eu fosse comentar essa matéria dizendo o que penso do desgoverno Sabino o moderador não publicar minha mensagem porque as palavras seriam impublicáveis. Para ser tuim esse governo precisa melhorar muito.

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