Onde está o dinheiro da Educação, prefeito?

Sandro Matos está evitando um contato direto com os profissionais da Educação

Professores de São João de Meriti não tem dia certo para receber e nas escolas falta até papel higiênico, mas repasses para a Educação no primeiro quadrimestre passaram de R$ 29 milhões

“Trabalho desde 2012 neste município e estou cada dia mais desmotivada. Não temos um dia certo para receber, até a presente data não recebemos nossas férias e o auxilio passagem é de R$ 50. Do Fundeb agente nem sabe o destino. As escolas não têm papel oficio para atividades das crianças, não tem papel higiênico e, às vezes, temos que ajudar para compra do gás senão as crianças não comem o feijão com arroz ou macarrão com feijão. Isso mesmo, sem carne. Não tem desjejum e muitos alunos não receberam uniformes”. O relato foi feito ontem por uma professora da rede municipal de ensino de São João de Meriti, onde muitos dos profissionais aprovados no concurso de 2011 chamados na última convocação estão abrindo mão das vagas, pois não querem atuar no município com, segundo os profissionais da área, “as piores condições de trabalho da Baixada Fluminense”.

Os professores reclamam que os salários vem sendo pagos com atraso, o que não teria razão de ser, pois os repasses constitucionais do governo federal estão regulares. No primeiro quadrimestre deste ano, por exemplo, o município recebeu – na soma de todos os fundos – mais de R$ 44 milhões, sendo R$ 29,5 milhões referentes ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), recursos que só podem ser usados no setor de ensino, o mínimo de 60% para remuneração dos professores e o máximo de 40% para manutenção da rede. Este ano os repasses do Fundeb para Meriti chegaram R$ 7.327.261,70 em janeiro, R$ 7.644,981,14 em fevereiro, R$ 7.631.531,71 em março e R$ 6.932.210,69 no mês passado.

Na semana passada os professores se mobilizaram para protestarem contra corte nas gratificações, mas não foram recebidos pelo prefeito Sandro Matos (PDT), que já deixou claro que não quer dialogar com a categoria, por entender, segundo uma fonte do governo, que os professores estão em posição de vantagem em relação aos demais servidores. A única fala do governo até agora foi para dizer que não houve redução nas gratificações e sim uma “adequação por classificação”.

 

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Comentários:

  1. Sou professora da rede já estamos com 10 dias de greve e o nosso prefeito não quer atender a classe..Pior de tudo estão colocando pessoas não habilitadas para dar aula .Tentando assim descaracterizar a greve..como também diretoras dando aula para 10 alunos …Bom, ele não recebe os profissionais então vai pagar então não pagaremos dias..Como ele fará para cumprir os 200 dias letivos..

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