Empresa investigada por superfaturamento na merenda escolar é a preferida de prefeitos da Baixada Fluminense

Sandro levou a Home Bread para Baixada. Nelson Bonier e Gelsinho Guerreiro parecem gostar muito dos serviços prestados pela empresa

Investigada por denúncias de superfaturamento e fornecimento abaixo do volume contratado pelas prefeituras de São Gonçalo e São João de Meriti, a empresa Home Bread Indústria e Comércio, especializada em alimentação escolar, estaria fazendo feio também nos municípios de Mesquita, Nova Iguaçu e Duque de Caxias, onde acumulam reclamações feitas por merendeiras contratadas e sobre a qualidade dos alimentos fornecidos. Em Mesquita, por exemplo, onde, a exemplo dos demais, o contrato foi firmado sem licitação, a Home Bread havia recebido até o dia 20 deste mês cerca de R$ 14,7 milhões por um serviço muito questionado. Foram pagos R$ 2.886.316,20 em 2013, R$ 7.284.547,34 em 2014 e R$ 3.955.371,56 este ano.

Denunciada por sua atuação em São João de Meriti, onde foi contratada em 2009 com sobrepreço, segundo apurou o Tribunal de Contas, a Home Bread não fornece mais merenda para a rede de ensino daquele município, mas fatura alto em Nova Iguaçu, dividindo o serviço com outra empresa, a Masam Alimentos, conhecida por participar junto com a Home de vários processos licitatórios, normalmente dividindo os lotes entre si e com a Comercial Milano, que em Nova Iguaçu cuida do fornecimento para as creches conveniadas. Este mês as duas empresas receberam mais de R$ 1,2 milhão dos cofres iguaçuanos – R$ 622.302, 24 para a Home Bread e R$ 597,039,57 para a Masam – despesa justificada com o mesmo objeto: “contrato de aquisição de gêneros alimentícios para atendimento de todas unidades escolares municipais”.

Quando assumiu a gestão do município de Duque de Caxias o prefeito Alexandre Cardoso já encontrou a Home Bread por lá. O que ele fez foi renovar o contrato com a ela em 2013, por cerca de R$ 650 mil ao mês. Dois anos antes a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados havia solicitado a então secretária de Educação do município, Roseli Duarte, informações e cópias de documentos referentes a um contrato de R$ 43,7 milhões. A solicitação foi feita pelo deputado Cristiano José Rodrigues, que alegou ter conhecimento de denúncias sobre possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos federais transferidos pelo Ministério da Educação ao município durante o governo do prefeito José Camilo dos Santos, o Zito, e que o contrato com a Home Bread “estaria eivado de irregularidades, entre as quais sobrepreço e superfaturamento, além de vícios ocorridos no processo licitatório”, mas ninguém sabe até hoje o que resultou disso.

No já extinto contrato entre a Home Bread e a Prefeitura de São João de Meriti foram apontadas várias irregularidades pelo Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público Federal recebeu denúncia dando conta de apenas 40% da verba da merenda chegava, em alimentos, aos pratos dos alunos. Isso foi classificado pelo prefeito Sandro Matos como “mentira infame”, mas o TCE constatou que em 2009 a Prefeitura de Meriti pagou R$ 7,27 pelo quilo do peito de frango que, de acordo com a tabela da Fundação Getúlio Vargas, custava naquele ano R$ 3,46 no varejo e apontou que em um contrato no valor de R$ 2,9 milhões ocorrera um superfaturamento de R$ 846 mil. Isso também contestado pelo prefeito, que foi multado várias vezes este ano por mais sobrepreço em alimentos e outros itens adquiridos pela municipalidade, inclusive em material para obras.

Comentários:

  1. Bom dia, Elizeu Pires. No caso de São João o STF mandou a Procuradoria Geral da República apurar, mas ninguém sabe o que aconteceu até agora, já que a tal apuração estaria sob segredo de justiça.

  2. Em Nova Iguaçu então nem se fala. Só as merendeiras que reclamam, pois trabalham muito e ganham uma miséria, mas a merenda é uma maravilha. Não é, prefeito?

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