Ponto biométrico é o terror nos órgãos públicos

Em Macaé o sistema foi projetado para registrar o ponto de mais de 16 mil funcionários, entre efetivos, comissionados e contratados

Em Meriti e Macaé médicos que gostam de dar uma escapadinha não tem mais vez

Muito criticado pelo Sindicato dos Médicos no estado do Rio de Janeiro, o controle por impressão digital da frequência dos servidores públicos passou a ser um grande aliado das administrações e da população. Da primeira por impedir o pagamento a profissionais por plantões não feitos e da segunda ao assegurar uma maior presença de médicos nas unidades de saúde. Dois grandes exemplos disso estão nos municípios de São João de Meriti e Macaé, respectivamente na Baixada e no Norte fluminense, onde a resistência ao ponto biométrico ainda é muito grande, mas os resultados, afirmam secretários e chefes de setores, são muito maiores: em Meriti, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o volume de pacientes atendidos cresceu 20% e as despesas caíram 40%, enquanto que em Macaé, além da redução na folha de pagamento e melhorar a frequência, a medida está provocando a demissão espontânea de profissionais que não se adaptaram aos novos tempos e decidiram pedir para sair.

 

Antes das maquininhas o controle de freqüência era impossível. Era muito comum um servidor entrar no setor de trabalho e sair logo depois de assinar o ponto. Também era costumeiro um assinar pelo outro e assim se promovia a farra dos plantões, com apenas alguns trabalhavam, mas todos recebiam salário completo no fim do mês. Em São João de Meriti o sistema começou a funcionar em 2014 nas unidades de saúde e logo nos primeiros meses os próprios servidores perceberam no contracheque o bom resultado: o médico que tira um plantão por semana teve o salário aumentado de R$ 6.800 para R$ 9 mil, o segundo maior salário na Baixada Fluminense.

Com os bons resultados o ponto biométrico passou a ser adotado em todos os setores da administração municipal, mas o início a rejeição foi grande: alguns funcionários tentaram boicotar e tiveram atrasos e faltas descontados. “Muitos servidores da Saúde não acreditaram que o sistema iria funcionar. Tivemos muitos problemas no primeiro ano. Mas fizemos ajustes, aprendemos com os erros e, atualmente, temos a folha de pagamento da Secretaria de Saúde sendo toda fechada pelo ponto biométrico”, pontua o secretário de Administração, Marcio Magalhães Dias, de São João de Meriti.

Já em Macaé, uma cinco cidades mais ricas do estado do Rio de Janeiro, o ponto biométrico ainda é novidade na administração municipal. Começou a funcionar em outubro do ano passado e a folha de pessoal já pesa menos nas costas dos contribuintes: dias pagos somente os realmente trabalhado e o médico que não faz o obrigatório plantão semanal perde logo de cara R$ 5 mil no fim do mês. Outro benefício está no fim dos “fantasmas”. Atualmente gente que não costumava dar as caras em seus locais de trabalho faz fila para apresentar suas digitais ao sistema que foi projetado para registrar a presença de 16,2 mil funcionários, entre efetivos, comissionados e contratados das administrações direta e indireta. Os primeiros equipamentos foram instalados na sede do governo e na Secretaria de Saúde. Os aparelhos são a prova de fraude e a cada quatro minutos emitem relatórios para uma central, o que acabou de vez com o esquema “paga plantão” (quando um servidor recebe para trabalhar pelo outro, ficando com uma parte do que o faltoso recebia) que era muito comum no Hospital Público Municipal, mas conhecido como HPM, onde funcionam cinco maquininhas.

Comentários:

  1. Em Macaé ainda continua a farra dos fantasmas! Eu mesmo conheço duas pessoas que estão lotadas na Secretaria de educação que apenas batem o ponto na entrada e saída e trabalham no horário do expediente que deveria ser da prefeitura em empresas privadas. Ponto biométrico coíbe sim, mas tem servidor que a própria prefeitura através dos seus chefes são coniventes e permitem esses desvios.

  2. faltou dizer que não existe a impressão do papel após o ponto. não tem acompanhamento junto aos órgãos. em macae a coisa tá bem por baixo dos panos.

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