Dinheiro jogado no lixo em Nova Iguaçu

O Ford modelo 1997 está sem licença desde 2013, mas não só circula livremente – apesar do mau estado de conservação – como o seu dono ainda fatura da Prefeitura

Prefeitura paga caro pela coleta, mas o serviço pesado é feito por “sucatas” que já deveriam ter sido descartadas há muito tempo, mas circulam livremente pelas ruas da cidade

Um contrato com a empresa Green Life Execução de Projetos Ambientais para a coleta do lixo em Nova Iguaçu (firmado em novembro de 2013), no valor inicial de R$ 18 milhões, beira hoje a casa dos R$ 40 milhões, mas, além do serviço precário, o que mais se vê nas ruas são velhos caminhões caçambas em um vai e vem constante entre o centro da cidade e a Central de Tratamento de Resíduos, localizada no bairro Adrianópolis. Enquanto a empresa fatura, o serviço pesado fica por conta dos ferros velhos ambulantes, montes de ferrugem sobre pneus “carecas”, a maior parte com documentação vencida há muito tempo, até porque os veículos não conseguiriam passar pela vistoria do Detran no estado em que estão. As sucatas alugadas pelo município são registradas em nome de particulares e constam como à serviço da Empresa Municipal de Limpeza Urbana (responsável pela contratação e fiscalização do serviço) e da Companhia de Desenvolvimento de Nova Iguaçu (Codeni). Quanto elas custam e por que estão circulando quando deveriam ter sido jogadas no lixo, são respostas que a administração municipal precisa dar.

Durante toda a semana o elizeupires.com aguardou por uma explicação, mas nenhuma informação foi passada pela Prefeitura. Muito pelo contrário: a Emlurb e a Codeni fingem que o assunto não é com elas e a na Secretaria de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana (órgão ao qual cabe a fiscalizar e ordenar o tráfego) o secretário Rubens Borborema e seus assessores não tomam qualquer providência, embora estejam “carecas” de saber que boa parte dos veículos alugados pela Emlurb e a Codeni já deveria ter sido retirada das ruas há muito tempo.

No último dia 9 a locação de ferros velhos sobre rodas para o serviço de coleta de lixo foi denunciada na matéria “Limpeza urbana de Nova Iguaçu tem sucatas exclusivas”, apontando o uso de um caminhão com licença vencida desde em 2007.  A Emlurb não se pronunciou sobre o assunto e manteve o veículo irregular nas ruas, junto com outros caminhões da frota de sucatas, pela qual a Prefeitura não informa quanto está pagando. Na manhã de ontem o mesmo caminhão estava circulando nas ruas da cidade, seguido de outros dois ferros velhos ambulantes, o Chevrolet D-60, modelo 1977, placa de Mangaratiba (MPG-2859) e o Ford 11000, placa de Macaé (GXA-5179), ambos com documento vencido em 2013.

Se o governo nada explica e esconde o seu próprio lixo, o contribuinte iguaçuano tem a certeza de que se estes veículos não estivessem à serviço da Prefeitura, seus donos estariam cheios de multas e, com certeza e os caminhões já teriam sido recolhidos ao depósito pelos agentes de trânsito, servidores lotados num órgão implacável com os pobres mortais que conduzem seus veículos particulares pelo desorganizado trânsito de Nova Iguaçu.

 

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