Condenação do prefeito de Caxias está valendo, mas decisão estaria sendo ignorada, questionam advogados e lideranças locais

Elizeu Pires

Washington Reis tem uma pena a cumprir

Com uma sentença de sete anos por crime ambiental mantida por unanimidade pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 16 de março, o prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB) era, para alguns advogados, já ter sido substituído no cargo, uma vez que o acórdão já saiu há mais de dez dias. Se ainda não aconteceu, a saída de Washington para a entrada do tio Wilson Miguel dos Reis, vice-prefeito, para outros operadores do Direito, será questão de dias, pois o processo já transitou em julgado.

“A saída é inevitável, pois não há mais o que se discutir. Pode até se ver divergência na questão sucessória, porque alguns acham que tem de haver uma eleição suplementar, do que eu discordo. Mas é fato que a sentença existe, tem de ser executada e não há manobra que possa apresentar um resultado contrário”, diz um dos que entendem do riscado.

Reis foi o candidato a prefeito mais votado, com um resultado suficiente para ser declarado reeleito, mas seus votos só foram validados em 25 de novembro, um dia após o ministro Gilmar Mendes conceder uma liminar suspendendo os efeitos da condenação que o tiraria no páreo. Para alguns o resultado da eleição já não mais pode ser discutido, porque a ação eleitoral também transitou em julgado, mas o afastamento do cargo pela sentença criminal é dado como “favas contadas”.

Na campanha de 2020 o vice na chapa de Washington era o ex-secretário de Obras João Carlos Grilo, que renunciou, alegando “motivos pessoais”, o que caiu como uma luva para a família. Sabedor de sua complicada situação jurídica e prevendo os riscos de não concluir o mandato que viesse a conseguir nas urnas, o prefeito fez uma escolha estratégica, substituindo Grilo pelo tio, que agora deverá concluir o mandato do sobrinho.

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