Picciani em casa: MDB espera ajuda para formar nominatas e alguns setores temem que uma delação esteja sendo preparada

A uma semana do fechamento da janela que possibilita que políticos em exercício de mandato mudem de partido sem o risco de perderem a cadeira, o MDB fluminense aposta na sobrevida e na possibilidade de eleger uma bancada significativa. É que o mestre das nominatas, Jorge Picciani, está agora em prisão domiciliar e poderá, na visão de alguns, ajudar na formação da lista de nomes do partido. Pelo menos é isso que esperam os que ainda não pularam do galho, mas o que está sendo aguardado com inquietação é uma possível delação, um acordo que poderia tirar da cadeia o filho Felipe, que nunca se envolveu em política e foi enquadrado pelo fato de administrar os negócios da família.

“Mesmo ainda na condição de preso, Picciani pode ajudar muito na formação das nominatas do partido com vistas à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados, mas a maior preocupação dele hoje é com o filho encarcerado”, diz um emedebista bem informado, afirmando ainda que Picciani ainda não teria falado sobre a possível colaboração nem com a família.

Entretanto, o primeiro sinal de que isso poderá vir realmente a acontecer veio com a substituição de advogado. Nélio Machado – que desde o início da Operação Lava-Jato vem se posicionando contra a delação premiada – deixou a defesa de Jorge, que agora está sendo no processo por João Mestieri, o mesmo que defendeu o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Em fevereiro, em entrevista, Nelio Machado a afirmou: “Se quiserem fazer delação premiada deixarão de ser meus clientes”. Ele disse isso em relação a Jorge Picciani e ao ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, que foi para casa antes do figurão do MDB. Foi exatamente isso que Picciani fez. Nuzman ainda não.

 

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