Alerj soltou as mãos de Thiago Rangel, ao contrário do que fez com Bacellar
● Elizeu Pires

Uma semana após sua prisão, ocorrida em 5 de maio, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) teve desmontado seu gabinete e todos seus assessores exonerados, o que está certíssimo, uma vez que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, além da prisão, o afastamento dele do mandato.
O que está chamando a atenção é que, em caso semelhante, o da prisão do ex-presidente Rodrigo Bacellar (União), a Casa agiu de maneira bem diferente: no mesmo dia em que Bacellar foi levado pela Polícia Federal seus companheiros iniciaram o movimento que o libertou dias depois.
A casa de Rodrigo desabou mesmo quando ele teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Só aí, então, é que seu gabinete foi desmontado e os assessores demitidos, mas ainda assim não se ouviu por lá a frase dita dia desses pelo vice-presidente Guilherme Delalori: “Cada deputado tem seu CPF e responde pelo seus atos”.
Em relação a Rangel o STF decidiu mantê-lo preso independente de qualquer posicionamento da Alerj, mas mesmo antes disso ninguém da Casa se manifestou publicamente a favor dele. Muito pelo contrário. A Alerj resolveu fazer o que sequer foi cogitado em relação a Bacelar: abrir via Conselho de Ética e Decoro Parlamentar um processo disciplinar para apurar o caso, o que deverá resultar na cassação do mandato dele.
Na verdade, alguns parlamentares admitem isso, no caso de Bacellar o TSE aliviou as coisas para a Alerj com a cassação do mandato dele, tirando dos deputados a responsabilidade de julgá-lo em plenário, e, no caso Thiago Rangel o alívio veio do STF, quando se manteve o decreto de prisão independente do que o plenário da Casa viesse decidir.