“Se a Tropa do Bacellar não se conter, eleição para presidência da Alerj poderá ser comprometida novamente”, temem os mais moderados da Casa

● Elizeu Pires

Foto: Ascom/Alerj

O placar de quatro votos a favor da votação indireta julgamento que vai decidir como vai ser  a eleição para o mandato-tampão de governador no Rio de Janeiro registrado na sessão interrompida da última quinta-feira (9), animou bastante os correligionários do deputado Douglas Ruas, que tem tudo para ser o candidato da direita, tanto para o mandato tampão, como na eleição de outubro, assim como antes poderá ser eleito presidente da Alerj.

O problema, segundo a ala mais sensata da Casa, estaria na turma dos fortões que raspam a cabeça, posam para fotos de braços cruzados e cara amarrada, como se quisessem intimar alguém, e fazem questão de se identificarem como membros da “Tropa do Bacellar”, como se houvesse mérito nisso. De acordo com os moderados, foi a turma da cara feia que contribui para tumultuar a eleição vencida por Douglas Ruas, realizada no dia 26 de março e anulada horas depois por decisão do Tribunal de Justiça.

Os atropelos denunciados à Justiça pelos mais tranquilos sepultaram dois projetos de poder dessa turma em um só dia. O primeiro plano era eleger Douglas presidente e Guilherme Delallori vice. Assim a Casa ficaria sob o comando do mesmo grupo quando Ruas assumisse o governo interinamente, até que o plenário fizesse a eleição indireta para governador – com voto aberto para identificar quem ousasse votar em outro candidato -, da qual o próprio Douglas era apontado como favorito

Como inteligência não parece ser qualidade comum entre os fortões, eles mesmos se derrotaram e agora terão de rever seus conceitos quanto forem fazer a nova eleição da mesa diretora, que deverá acontecer assim que o Supremo Tribunal Federal decidir sobre a votação para o mandato-tampão que, ao que tudo indica, deverá ser indireta.

O que já se percebeu na Casa desde a renúncia do governador Claudio Castro e do afastamento do ex-presidente Rodrigo Bacellar, é que as vozes estridentes da Alerj discursam como se quisessem impor, na marra, suas vontades, atropelando o contraditório. “Agora a coisa vai ser diferente. O rito terá de ser respeitado, com abertura de prazo legal para inscrição de chapas e com a garantia do voto secreto. Se acontecer como antes poderá resultar em mais uma anulação”, diz um parlamentar moderado.