Escravidão branca em Silva Jardim

Servidores terceirizados reclamam do salário aviltado, das péssimas condições de trabalho e do patrulhamento constante

“Vivemos numa espécie de escravidão branca. Não temos direito a nada e se reclamamos somos ameaçados de demissão”. A afirmação é de uma funcionária contratada indiretamente pela Prefeitura de Silva Jardim através da empresa General Contractor, que, em seu contrato social, nada tem a ver com fornecimento de mão de obra, mas mesmo assim foi escolhida pelo município para terceirizar trabalhadores. Segundo a funcionária de apoio que atua numa unidade da rede municipal de ensino, alguns terceirizados – que recebem menos da metade do que efetivamente é pago pelo município à empresa de terceirização – estariam ganhando ainda menos do que já foi revelado.

Segundo ela relatou ontem ao elizeupires.com, a General Contractor não paga hora extra, não aceita atestados médicos e estaria sempre inventando um meio de descontar ainda mais no salário base de R$ 740. Conforme já foi noticiado, um trabalhador pelo qual a Prefeitura paga a empresa R$ 1.650,96, recebe no fim do mês apenas R$ 666 por conta do desconto normal no vencimento base, mas de acordo com a funcionária, tem terceirizado recebendo menos que os R$ 666, por causa de descontos mal explicados.

De acordo com documentos ao qual o elizeupires.com teve acesso, no caso do menor salário pago a empresa por um trabalhador (R$ 1.650,96), ela fica com R$ 910,96, um grande lucro considerando que a General Contractor não produz nada e limita-se a gerir esse fornecimento de mão de obra sem garantir benefícios aos seus contratados. Segundo a funcionária, a situação já foi levada ao conhecimento da Câmara de Vereadores, mas os membros da Casa não tomam qualquer providências, pois muitos cargos oferecidos através dessa terceirização, afirma, teriam sido preenchidos por pessoas indicadas por vereadores. “Os apadrinhados de vereador são mais bem tratados”, concluiu a funcionária.

Alvo de inquéritos no Ministério Público por denúncias de supostas irregularidades em processos licitatórios, o prefeito Anderson Alexandre (PRB), estaria pressionando a empresa para essa fazer o mesmo com os trabalhadores que mostrem descontentamento e protestem contra os atrasos no pagamento do salário. Anderson conta com a benevolência do Poder Legislativo, que é comandado por um empregado seu numa rede de farmácias, o vereador  Roni Luiz Pereira da Silva, o Roni da Farmácia (PRB).

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Comentários:

  1. Se o prefeito quisesse poderia resolver isso com um telefonema. Basta chamar a empresa e mandar ela nos tratar direito e ´pagar mais, já que ela foca com mais da metade do que a Prefeitura paga por nós.

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