Decisão do STJ acaba com o sonho da volta que Witzel vinha acalentando: governador afastado já teria até uma nova lista de secretários

Elizeu Pires

Nos últimos dias eram fortes nos corredores do poder no Rio de Janeiro que o governador afastado Wilson Witzel (foto), estava tão certo de retornar ao posto, que já teria uma lista de novos secretários pronta, e nela estaria seu ex-chefe de gabinete Cleiton Rodrigues, mas ontem (11), a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acabou com as esperanças de Witzel ao aceitar a denúncia por corrupção e lavagem de dinheiro apresentada contra ele pelo Ministério Público Federal, transformando-o em réu e o mantendo afastado por pelo menos mais um ano.

O governador afastado foi denunciado pelo MPF do desvio de recursos alocados para o setor de saúde para o enfrentamento do novo coronavírus, e de ter beneficiado organizações sociais com contratos para gestão e fornecimento de pessoal na área, durante o período em que o médico e coronel reformado da Polícia Militar Edmar Santos esteve como secretário de Saúde. A decisão do STJ, aliás, derruba o sigilo da delação de Edmar, que, entre outras revelações, contou ao MPF que parte dos recursos repassados à Prefeitura de Duque de Caxias seria desviada para a compra da Rádio Tupi.

Durante o julgamento de ontem a subprocuradora-geral Lindôra Araújo, representando o MPF, afirmou que o que se passou talvez tenha sido a coisa mais chocante que ela tenha visto: “Nessa pandemia, ao invés de proporcionar um momento afetivo, um momento em que as pessoas tentam minimizar essa dor, elas usaram em benefício próprio. Talvez seja a coisa mais terrível que tenha acontecido em um momento de calamidade. Eu diria que, em um momento equiparativo à guerra, as pessoas usaram em benefício próprio o dinheiro que veio da União federal para usar em hospitais de campanha, respiradores, ele foi desviado em benefício de outras pessoas”.

Intenção de compra de emissora de rádio – Conforme o elizeupires.com havia velado na matéria Grupo de Witzel planejou usar dinheiro desviado da Saúde para comprar a Rádio Tupi: retorno viria de repasse à Prefeitura de Caxias, aponta investigação do MPF, veiculada no dia 31 de agosto de 2020, o governo estadual repassou a gestão do prefeito Washington Reis R$ 101,5 milhões, e haveria um compromisso de devolução de boa parte dos recursos para que o grupo do governador Wilson Witzel pudesse comprar a Rádio Tupi – uma emissora de grande audiência no Rio de Janeiro -, transação que seria feita através de firmas do empresário Mário Peixoto, preso há nove meses.

O relato sobre o suposto esquema está em três das 403 páginas da petição na qual o Ministério Público Federal apresentou ao Superior Tribunal de Justiça os pedidos de prisão e busca apreensão contra Witzel e várias pessoas a ele ligadas, o que pode ser conferido aqui.

No documento o MPF abre assim a parte relacionada às ações envolvendo administração municipal de Duque de Caxias: “… a organização criminosa instalada no governo do estado do Rio de Janeiro viu no município de Duque de Caxias oportunidade para o desvio de verbas públicas por meio de repasses do Fundo Estadual de Saúde para o Fundo Municipal de Saúde”.

*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria.

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