“Elas não estão sozinhas”: Navega RJ mostra força do acolhimento no combate ao câncer de mama

Com escuta, apoio emocional e agilidade no atendimento, programa do Governo do Estado amplia chances de cura e fortalece a rede de cuidado para mulheres com diagnóstico de câncer de mama no RJ

Foto: Divulgação

Quando recebeu o diagnóstico de câncer de mama, Lânia Galvão viu sua vida atravessada por uma avalanche de incertezas. Foi na rede pública do estado do Rio de Janeiro que ela ouviu, pela primeira vez, a palavra “câncer”. E foi ali também que começou uma jornada que transformaria sua história. Primeira paciente do Navega RJ, Lânia afirma que o acolhimento, aliado ao tratamento, fez toda a diferença. Tudo isso graças à iniciativa do Governo do Rio por meio da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), que oferece acompanhamento personalizado e humanizado desde o diagnóstico até o início do tratamento.

“Eles mandam mensagens, acompanham, querem saber o mínimo de nós, se acordamos bem ou mal, se estamos felizes ou tristes. Não são só cobranças, são acompanhamentos emocionais. Toda a equipe é fundamental e importantíssima por se fazer presente em nossas vidas”, contou a paciente. 

Assim como Lânia, outras mulheres com câncer de mama já foram acolhidas pelo Navega RJ, que acaba de ser ampliado para as unidades do Rio Imagem Centro e Baixada. Com um aporte anual de R$ 1,2 milhão, o programa passará de 300 para 1.500 pacientes assistidas, um crescimento de 400%. As equipes, coordenadas pela cirurgiã oncológica e coordenadora do Navega RJ, Sandra Gioia, são formadas por médicos mastologistas, assistentes sociais e enfermeiros que atuam como navegadores de pacientes. Eles fazem um acompanhamento individualizado das mulheres desde que recebem o diagnóstico de câncer até o início do tratamento. 

“Mais do que números, o programa tem nomes, rostos e histórias. Nesse momento difícil em que as mulheres recebem o diagnóstico de câncer, é fundamental que a gente ofereça o apoio necessário para que não desistam e sigam com o tratamento. Elas não estão sozinhas”, afirmou o governador Claudio Castro, que pretende ampliar a navegação para outros tipos de cânceres. “Minha mãe faleceu de câncer de mama quando eu tinha 4 anos, essa ação me sensibiliza muito”, revelou Castro. 

No Brasil, o programa Navega RJ foi pioneiro no SUS, com um projeto piloto executado a partir de 2017 no Rio Imagem Centro e transferido em 2019 para o Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart (H Mulher). Desde 2017, o programa auxiliou cerca de 1.000 mulheres diagnosticadas com câncer de mama a vencerem as barreiras e iniciarem o tratamento. Em 1 de outubro, o programa foi ampliado e levado de volta ao Rio Imagem Centro e também ao Rio Imagem Baixada, onde 284 mulheres estão sendo assistidas. 

O sucesso do Navega RJ já rendeu ao programa sete premiações nacionais. No último dia 9 de dezembro, a experiência da rede estadual de saúde do RJ foi levada pela coordenadora Sandra Gioia ao maior congresso de câncer de mama do mundo, o San Antonio Breast Câncer Symposium, no Texas, EUA. O Navega RJ também inspirou a Lei Federal de 2022, e hoje a navegação está na Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer.

Para a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, o papel do Navega RJ é essencial como ferramenta de acolhimento. “Toda mulher, quando tem o diagnóstico de câncer, fica impactada. O objetivo maior desse programa é justamente abraçar todo o movimento de combate ao câncer que mais mata mulheres. E é fundamental o diagnóstico precoce para que seja possível curar essa mulher”, destacou.

Nos três polos diagnósticos de câncer de mama, com uma equipe que inclui médicos mastologistas e navegadores de pacientes, o principal objetivo é identificar e reduzir barreiras para o acesso ao tratamento em até 60 dias, conforme prevê a lei. Todas as pacientes submetidas à biópsia mamária têm consulta com mastologista em até 30 dias para obter o laudo. Se for positivo, a paciente é inserida no sistema de regulação estadual no mesmo dia e, em seguida, é atendida pelo navegador, que faz o acolhimento e acompanhamento semanal até o início do tratamento. 

“O programa ajuda a empoderar essas mulheres, leva educação em saúde, ajudando-as a superar preconceitos e obstáculos ao tratamento. Estamos garantindo a elas esperança e motivação para construírem uma nova história”, disse a médica Sandra Gioia.

A navegadora Lúcia Brigagão, assistente social e uma das responsáveis pela criação do projeto em 2017, falou sobre o impacto desse cuidado. “O câncer é um diagnóstico impactante que muda tudo para o paciente e a família. Acompanhar desde o início, orientar e esclarecer o paciente é fundamental para que entendam que a doença é grave, mas tem tratamento e controle, com chances de cura cada vez maiores. Estou feliz por ter reconquistado esse espaço e espero que ele se expanda”, relatou.

A incidência de câncer de mama foi de 11,08 mulheres em cada 100 mil habitantes em 2024. Houve um aumento de 38% na década compreendida entre 2014 e 2024. Só em 2025, de janeiro até a primeira semana de outubro, surgiram cerca de 2.800 novos casos. É o tipo de câncer mais frequente no estado do Rio. Se diagnosticada no começo, a doença pode ser facilmente tratada. Uma estatística do Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que 90 a 92% dos cânceres diagnosticados logo no início são favoravelmente tratados.

A superintendente de Regulação da SES-RJ, Kitty Crawford, ressaltou que o tempo médio de espera para cirurgia de lesão impalpável caiu de 226 dias (em outubro de 2024) para apenas 20 dias (em outubro deste ano). Já a espera por mamografia é, em média, de 13 dias. Atualmente, a oferta mensal é de 2.523 exames, sendo que sobram cerca de 2 mil disponíveis.