Mensagens trocadas entre Thiago Rangel e um interlocutor sugerem que deputado era metido a valentão

● Elizeu Pires

Diálogos entre o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) e uma pessoa que ainda não teve o nome revelado, foram usados pelo ministro Alexandre de Moraes para sustentar o decreto de prisão contra o parlamentar, cumprido nesta terça-feira (5) pela Polícia Federal. Nas mensagens trocadas fala-se em disparar 12 tiros no portão da casa de um homem e, em outra em “dar um jeito nele”.

Rangel está sendo investigado como suposto chefe de uma organização criminosa que usaria uma rede postos de combustíveis para lavar dinheiro. O deputado, como já foi divulgado anteriormente, seria dono de 18 postos de gasolina.

As mensagens com menções a atos violentos foram encontradas pela Polícia Federal em dispositivos apreendidos anteriormente, possivelmente numa operação realizada em 14 de outubro de 2024, no âmbito de inquérito aberto pela PF para apurar possíveis irregularidades na Câmara de Vereadores de Campos e pela  Empresa Municipal de Habitação, daquele município.

No despacho em que decretou a prisão Moraes cita diálogos de 2022 e um dos alvos das menções a atos violentos, segundo revelou O Globo, seria uma pessoa que criticava o deputado nas redes sociais. O ministro menciona ainda uma outra conversa onde um dos interlocutores fala sem rodeio coisas do tipo “vou dar jeito nele”, enviar uma “surpresa” e “depois de 12 tiros no portão o recado está dado” e, ainda, “temos que arrancar a cabeça dele sem dar direito para ele”.

Ao decretar a prisão o ministro do STF cita que os elementos apresentados pela Polícia Federal apontam para a prática de crimes como organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações. “Os elementos informativos coligidos no curso da investigação evidenciam indícios robustos da existência e da atuação atual de organização criminosa estruturada e estável, voltada à prática reiterada dos delitos de peculato, corrupção ativa e corrupção passiva”, afirmou o ministro.

*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria

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